Declaração ocorreu durante 17ª Cúpula do Brics, que acontece no Rio de Janeiro Internacional, -agencia-cnn-, Cúpula do Brics, Desmatamento, Governo Lula, Luiz Inácio Lula da Silva (Lula) CNN Brasil
No segundo e último dia da 17ª Cúpula do Brics, que acontece no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (7), que é inadiável promover a transição energética e zerar o desmatamento.
“Nosso desafio é alinhar ações para evitar ultrapassar 1,5 °C de aumento da temperatura do planeta. Será preciso triplicar energias renováveis e duplicar a eficiência energética. É inadiável promover a transição justa e planejada para o fim do uso dos combustíveis fósseis e para zerar o desmatamento“, disse Lula.
Segundo o chefe de Estado, faz parte desse desafio “viabilizar os meios de implementação necessários, hoje estimados em US$ 1,3 trilhão, partindo dos US$ 300 bilhões já acordados na COP29 no Azerbaijão”.
O evento que reúne os países-membros do Brics na capital fluminense termina hoje com declaração sobre saúde e clima.
Cúpula do Brics
O fim de semana movimentado no Rio de janeiro começou com o Fórum Empresarial do Brics – liderado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) – que reuniu representantes do setor privado dos países do bloco no sábado (5).
Além do presidente Lula, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também participaram.
Os brasileiros defenderam o multilateralismo, criticaram politicas protecionistas e destacaram o potencial brasileiro para a transição climática global.
“Diante do ressurgimento do protecionismo, cabe às nações emergentes defender o regime multilateral de comércio e reformar a arquitetura financeira internacional. O Brics segue como fiador de um futuro promissor”, afirmou Lula na ocasião.
Depois do fórum, o presidente Lula se deslocou ao Forte de Copacabana, onde fez seis reuniões bilaterais com chefes de Estado e de governo de países do Brics.
A Cúpula teve início oficialmente no domingo (6). Líderes da Índia, África do Sul, Egito, Indonésia, Emirados Árabes Unidos e Etiópia foram recebidos por Lula no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Os presidentes da China, Rússia e Irã – Xi Jinping, Vladimir Putin e Masoud Pezeshkian – não compareceram, mas enviaram representantes. O líder russo também participou por videoconferência.
Na abertura, Lula discursou sobre o que considera serem as principais crises globais atuais: “Com o multilateralismo sob ataque, nossa autonomia está novamente em xeque. Avanços arduamente conquistados, como os regimes de clima e comércio, estão ameaçados”, afirmou.
O presidente também dedicou seu tempo de fala para discutir conflitos mundiais e o temor de uma guerra nuclear.
“É sempre mais fácil investir na guerra do que na paz […] O temor de uma catástrofe nuclear voltou ao cotidiano. As violações recorrentes da integridade territorial dos Estados, em detrimento de soluções negociadas, solapam os esforços de não proliferação de armas atômicas”, destacou.
Na presença do chanceler russo Sergey Lavrov, Lula afirmou que “é urgente que as partes envolvidas na guerra na Ucrânia aprofundem o diálogo direto com vistas a um cessar-fogo e uma paz duradoura.”
As posições defendidas pelo presidente brasileiro coincidem em grande parte com declaração final, divulgada durante a tarde de domingo. O texto, no entanto, adota um tom mais ameno em alguns pontos. Foram semanas de negociações entre delegados representantes dos países do bloco que resultaram em mais de 120 parágrafos e 38 páginas.
(Com informações de Mariana Catacci e Vinícius Murad)

