No documento, destacam-se motivos como sobrecarga da ponte Juscelino Kubitschek, deformação do concreto, perda da capacidade de resistência e acúmulo de veículos sobre o local Tocantins, -agencia-cnn-, Maranhão, PF (Polícia Federal), Queda CNN Brasil
A CNN teve acesso a um laudo da Polícia Federal que aponta as possíveis causas da queda da ponte Juscelino Kubitschek, que ligava as cidades de Estreito, no Maranhão, e Aguiarnópolis, em Tocantins. A tragédia do dia 22 de dezembro de 2024 vitimou 14 pessoas e deixou outras três desaparecidas.
No documento, são destacados algumas motivações para a ruína da ponte interestadual, como sobrecarga da ponte, deformação do concreto, perda da capacidade de resistência e acúmulo de veículos sobre o local. Veja abaixo o que diz o laudo da PF:
- Sobrecarga da ponte: teria sido ocasionado por um volume de veículos superior ao que foi projetado para o local, tanto em quantidade quanto em porte;
- Fluência do concreto: fenômeno de deformação lenta do concreto, o que é comum me qualquer estrutura feita com o material. Porém, o desgaste é agravado em casos em que a estrutura é menos espessa, “como no caso da ponte em questão”;
- Perda da capacidade de resistência estrutural: segundo a PF, a perda foi agravada por dois fatores – “Deficiência na manutenção da ponte, do qual decorrem outros problemas, como a ruptura das barras de aço ativas e passivas, além de processos de lixiviação do concreto, corrosão de armaduras, entre outros” e –“Opções heterodoxas para a manutenção da ponte, como a remoção da camada de concreto sobre o tabuleiro e a consequente exposição das importantes armaduras de protensão, realizada na década de 1990″;
- Acúmulo de veículos sobre a ponte nos momentos que antecederam a queda quando a estrutura já dava sinais de rápida aceleração de comprometimento.
Além disso, a PF destacou que são causas determinantes as contidas nos itens de sobrecarga da ponte e acúmulo de veículo sobre o local. Para a corporação, as motivações do primeiro tópico “decorrem da decisão do operador da ponte em manter um tráfego superior ao projetado para a ponte, ao longo das últimas décadas de sua existência”.
Já sobre o segundo, é dito que as causas “decorrem de não se aplicar medidas de restrição ao tráfego de veículos sobre a ponte, atribuíveis aos responsáveis por sua operação, nos dias que antecederam sua ruína”.
Relembre o caso
A ponte que ligava o estado do Maranhão e do Tocantins caiu no dia 22 de dezembro.
No dia 31 de dezembro, o Ministério dos Transportes oficializou a contratação de um consórcio de empresas que será responsável pela reconstrução da ponte. O valor gasto será de R$ 171,9 milhões e a previsão é de que as obras sejam concluídas em dezembro de 2025.
No dia 2 de fevereiro, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) realizou a operação para implodir o que restou da ponte que desabou sobre o Rio Tocantins.
A implosão da estrutura remanescente da ponte Juscelino Kubitschek de Oliveira, na BR-226, entre os estados do Tocantins e Maranhão, foi realizada por meio de fogo controlado com 250 kg de explosivos, e visa a reconstrução da ponte.
O procedimento ocorreu após vistorias em residências próximas à área de segurança, que abrangeu 2.148 metros em Estreito (MA) e 2.136 metros em Aguiarnópolis (TO).
A implosão foi planejada e discutida com a ANTT, concessionárias de ferrovias próximas ao local e a Usina Hidrelétrica de Estreito. O DNIT monitorou a infraestrutura durante a operação.
“O prazo previsto para conclusão da ponte é dezembro de 2025, para que a gente possa retomar a trafegabilidade desse importante corredor para o país”, afirmou Fábio Nunes, diretor de Infraestrutura Rodoviária do DNIT. A reconstrução da ponte visa restabelecer o fluxo de veículos e mercadorias na BR-226.

