Lavagem intestinal ou hidrocolonterapia é uma prática cada vez mais comum e vendida como forma de limpar o órgão Saúde, Brazil Health, Intestino, Problemas intestinais CNN Brasil
A hidrocolonterapia, conhecida como lavagem intestinal ou enema, é um procedimento que envolve a introdução de água no intestino grosso (cólon) por meio do reto. Em sessões que duram cerca de uma hora, são infundidos entre 15 e 60 litros de água, às vezes misturada com ervas ou enzimas. A ideia é “limpar” o intestino, removendo fezes antigas e toxinas acumuladas.
O procedimento é realizado com equipamentos que controlam a pressão e a temperatura da água, e costuma ser oferecido em clínicas de terapias alternativas ou estética.
Supostos benefícios da hidrocolonterapia
Quem defende a hidrocolonterapia afirma que ela ajuda a:
- combater a prisão de ventre;
- reduzir o inchaço e a sensação de peso abdominal;
- eliminar toxinas;
- melhorar a imunidade;
- aumentar a disposição.
Mas esses benefícios não têm comprovação científica sólida. A maioria das alegações vem de relatos pessoais ou do marketing de clínicas especializadas — e não de pesquisas científicas confiáveis.
O que dizem as pesquisas científicas
Estudos sérios, publicados em revistas médicas renomadas, mostram que não há evidência de que a hidrocolonterapia traga benefícios reais à saúde. Pelo contrário: os riscos podem superar qualquer possível efeito positivo.
Uma revisão feita por médicos da Universidade Johns Hopkins, publicada no American Journal of Gastroenterology, concluiu que não existe nenhum benefício comprovado da limpeza do intestino para “desintoxicação” ou promoção de saúde. Em vez disso, os especialistas alertaram para efeitos colaterais importantes, como:
- dores abdominais e cólicas;
- náuseas e vômitos;
- infecções bacterianas;
- desequilíbrio dos sais minerais no corpo;
- perfuração do intestino (em casos mais graves).
Outro risco pouco conhecido é a alteração da flora intestinal, ou seja, das bactérias benéficas que vivem no intestino e auxiliam na digestão, imunidade e até na regulação do humor. Um estudo publicado na revista Digestive and Liver Disease mostrou que a hidrocolonterapia pode causar desequilíbrio dessas bactérias, o que pode prejudicar mais do que ajudar.
Importância do acompanhamento médico
Sim, pode ser. Embora muitas pessoas acreditem que “não faz mal tentar”, a verdade é que a hidrocolonterapia não é um procedimento isento de riscos e não deve ser realizada sem necessidade médica clara.
Em algumas situações muito específicas — como preparação para exames como a colonoscopia — o intestino é esvaziado com soluções apropriadas e sob supervisão médica. Fora isso, não há indicação clínica para esse tipo de limpeza.
A busca por saúde e bem-estar é legítima e necessária. Mas antes de aderir a modismos, é fundamental buscar informações baseadas em ciência e conversar com profissionais de saúde qualificados.
A hidrocolonterapia pode parecer uma solução “natural” e inofensiva, mas os estudos mais respeitados mostram que os riscos superam os benefícios. Em vez de apostar em limpezas intestinais radicais, invista em hábitos saudáveis de verdade: alimentação rica em fibras, boa hidratação, atividade física regular e acompanhamento médico periódico.
*Texto escrito pelo cirurgião do aparelho digestivo Antonio Couceiro Lopes (CRM 100656 SP | RQE 26013), membro Brazil Health
Fontes científicas consultadas:
• Acosta RD, Cash BD. American Journal of Gastroenterology, 2009.
• Mishori R, Otubu A. Journal of Family Practice, 2011.
• Drago L, Casini V. Digestive and Liver Disease, 2019.

