Operação Desfortuna aponta que grupo faturou R$ 40 milhões com jogos ilegais e havia até cláusula que repassava parte das perdas às estrelas das redes Rio de Janeiro, -agencia-cnn-, influenciadores, Investigação CNN Brasil
A investigação da Operação Desfortuna revelou que 15 influenciadores digitais movimentaram cerca de R$ 40 milhões nos últimos dois anos por meio da divulgação de jogos de azar ilegais.
Entre os alvos está Anna Beatryz Ferracini Ribeiro, conhecida como Bia Miranda, que teria registrado movimentações suspeitas de R$ 4 milhões em apenas um ano, segundo a polícia. O mesmo valor foi atribuído a outros investigados, como Maumau ZK, Nayara Silva Mendes e Nayla Duarte.
De acordo com os investigadores, cada influenciador recebia, em média, R$ 250 mil por três meses de divulgação. No caso dos mais famosos, havia contratos em que eles ficavam com até metade do valor perdido pelos apostadores — prática popularmente chamada de “cláusula da desgraça alheia”. A polícia apura qual modelo de contrato foi adotado por cada um.
Durante a operação, Maurício Martins Júnior, o Maumau ZK, foi preso em flagrante em São Paulo por porte de arma de uso restrito — uma pistola calibre .38 com numeração raspada.
Com 3,4 milhões de seguidores, o influenciador deve passar por audiência de custódia na Justiça paulista ainda nesta sexta-feira (08). Em uma nota publicada nas redes sociais, a defesa do influenciador afirma que ele está colaborando com as autoridades competentes para a resolução da situação.
As diligências, realizadas em três estados, resultaram na apreensão de dez carros, joias, acessórios de alto valor e diversos dispositivos eletrônicos. No total, 31 mandados de busca foram cumpridos.
A ação foi conduzida pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), em parceria com o Gabinete de Recuperação de Ativos (GRA) e o Laboratório de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro (Lab-LD). Segundo a polícia, os investigados usavam as redes sociais para atrair seguidores com promessas de “lucro fácil” por meio de rifas e jogos de azar online — práticas proibidas no Brasil.
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As apurações também apontaram sinais de enriquecimento incompatível com os rendimentos declarados. Os suspeitos exibiam viagens internacionais, carros de luxo e imóveis de alto valor.
Além da divulgação dos jogos, o grupo é acusado de integrar uma organização criminosa com estrutura hierárquica, divisão de funções e empresas de fachada, usadas para lavar o dinheiro obtido de forma ilícita.
A CNN tenta contato com os outros alvos.

