Em acareação no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (13/8), o réu colaborador Mauro Cid esclareceu que os monitoramentos feitos por autoridades pelo coronel Marcelo Câmara foram pontuais e o militar não teria conhecimento que as informações poderiam ser usadas no plano “Punhal Verde e Amarelo”. Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), a operação planejava a prisão e morte de autoridades, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice, Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
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Durante a audiência, o advogado de Câmara, Eduardo Kuntz, informou que o monitoramento de Hamilton Mourão, por exemplo, foi solicitado diretamente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Cid também esclareceu que ao dizer na delação que o réu Marcelo Câmara tinha conhecimento sobre a tramitação de uma minuta de decreto no Palácio, ele não quis afirmar que a minuta era a mesma apresentada por Filipe Martins ao ex-presidente da República Jair Bolsonaro.
Assim, Cid afasta que Câmara tenha acessado documento com teor golpista, mas mantém a versão de que o coronel tinha ciência da discussão sobre ruptura institucional dentro do governo de Bolsonaro.
Câmara afirmou que ao dizer a Cid, por mensagem, que “o documento não andou, pois poderia não ter viabilidade jurídica”, ele se referia a uma matéria jornalística e não a qualquer minuta de decreto. O réu afirmou que jamais se reuniu com Filipe Martins para tratar sobre documentos golpistas.
A acareação entre o tenente-coronel Mauro Cid e o coronel da reserva do Exército Marcelo Costa Câmara foi conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes. Além do ministro, também acompanharam a audiência o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e os advogados dos réus.
A acareação é um procedimento em que as pessoas envolvidas apresentam sua versão dos fatos frente a frente, com o objetivo de apurar a verdade. Neste caso, foi autorizada por Moraes a pedido da defesa de Câmara, que buscava esclarecer contradições sobre o monitoramento de autoridades e a manipulação de minutas golpistas.

