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Remédio comum para coração pode aumentar risco de morte em mulheres 

Última atualização: 30 de agosto de 2025 20:48
Published 30 de agosto de 2025
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Novos estudos revelam impactos diferentes do uso da medicação em mulheres após infarto  Saúde, Ataque Cardíaco, Coração, Doenças cardíacas, Infarto, Mulheres, parada cardíaca, saude cardiaca CNN Brasil

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Uma classe de medicamentos chamada betabloqueadores — usada há décadas como tratamento de primeira linha após um infarto — não traz benefícios para a maioria dos pacientes e pode até aumentar o risco de hospitalização e morte em algumas mulheres, mas não em homens, segundo uma nova pesquisa considerada inovadora.

“Essas descobertas vão reformular todas as diretrizes clínicas internacionais sobre o uso de betabloqueadores em homens e mulheres e devem iniciar uma abordagem tão necessária de tratamento cardiovascular específica para o sexo”, afirmou o Dr. Valentin Fuster, autor sênior do estudo, presidente do Mount Sinai Fuster Heart Hospital em Nova York e diretor-geral do Centro Nacional de Investigação Cardiovascular, em Madri.

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De acordo com o estudo, publicado no European Heart Journal e apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia em Madri, mulheres com pouco dano cardíaco após o infarto que foram tratadas com betabloqueadores tiveram maior risco de sofrer novo infarto, desenvolver insuficiência cardíaca e morrer — quase três vezes mais — em comparação com mulheres que não tomaram o remédio.

“Isso foi especialmente verdadeiro para mulheres que receberam altas doses do medicamento”, disse o Dr. Borja Ibáñez, autor principal e diretor científico do centro cardiovascular em Madri.

Segundo Ibáñez, essa foi a maior quantidade de mulheres já incluída em um estudo sobre o uso de betabloqueadores após infarto. Ele também atua como cardiologista no Hospital Universitário Fundación Jiménez Díaz, em Madri.

Porém, os resultados só se aplicam a mulheres com fração de ejeção do ventrículo esquerdo acima de 50%, considerada dentro da função cardíaca normal.

A fração de ejeção é uma medida de quão bem o lado esquerdo do coração bombeia sangue oxigenado pelo corpo. Para pacientes com fração abaixo de 40%, os betabloqueadores ainda são o tratamento padrão, pois ajudam a controlar arritmias que podem causar um segundo evento cardíaco.

Apesar disso, os betabloqueadores podem causar efeitos colaterais desagradáveis, como pressão baixa, batimentos cardíacos lentos, disfunção erétil, fadiga e alterações de humor, explica o Dr. Andrew Freeman, diretor de prevenção cardiovascular no National Jewish Health, em Denver, que não participou da pesquisa. “Sempre precisamos equilibrar riscos e benefícios ao usar esses medicamentos.”

Mas por que as mulheres seriam mais suscetíveis aos efeitos negativos? “Isso não é tão surpreendente”, diz Freeman. “O gênero influencia bastante na forma como o corpo reage aos remédios. Muitas vezes, as mulheres têm corações menores e são mais sensíveis a medicamentos para pressão arterial. Parte disso pode estar ligada ao tamanho e parte a fatores que ainda não compreendemos totalmente.”

Historicamente, como as pesquisas cardíacas se concentraram em homens, a medicina levou anos para entender que doenças cardíacas se manifestam de forma diferente em mulheres.

Enquanto homens tendem a ter acúmulo de placas nas artérias principais e sintomas clássicos como dor no peito, mulheres costumam ter placas em vasos menores e sintomas mais sutis como dor nas costas, indigestão e falta de ar.

Avanços nos tratamentos diminuem a necessidade de betabloqueadores

A análise sobre mulheres faz parte do estudo clínico REBOOT — tratamento com betabloqueadores após infarto sem redução da fração de ejeção — que acompanhou 8.505 homens e mulheres atendidos em 109 hospitais da Espanha e da Itália por quase quatro anos.

Os resultados também foram publicados no New England Journal of Medicine e apresentados no congresso europeu.

Nenhum dos participantes tinha fração de ejeção abaixo de 40%, sinal de possível insuficiência cardíaca.

“Não encontramos nenhum benefício no uso de betabloqueadores para homens ou mulheres com função cardíaca preservada após infarto, apesar de isso ser o padrão há cerca de 40 anos”, afirmou Fuster, ex-editor da Journal of the American College of Cardiology e ex-presidente da American Heart Association e da World Heart Federation.

Essa mudança pode ser explicada por avanços no tratamento imediato, como o uso rápido de stents e anticoagulantes ao chegar ao hospital. Hoje, segundo Ibáñez, a maioria dos sobreviventes de infarto — homens e mulheres — têm fração de ejeção acima de 50%.

“No entanto, atualmente cerca de 80% dos pacientes nos EUA, Europa e Ásia ainda recebem betabloqueadores, porque as diretrizes médicas ainda os recomendam”, disse ele. “Embora testemos frequentemente novos medicamentos, é muito raro questionarmos com rigor a necessidade contínua de tratamentos antigos.”

Embora o estudo principal não tenha indicado benefícios para quem tem fração de ejeção acima de 50%, uma meta-análise separada com 1.885 pacientes, publicada no The Lancet neste sábado, encontrou benefícios para quem tem fração entre 40% e 50%, quando o coração apresenta dano leve.

“Esse grupo teve benefícios com o uso rotineiro de betabloqueadores”, explicou Ibáñez, que também é coautor dessa publicação. “Observamos uma redução de cerca de 25% no risco de novos infartos, insuficiência cardíaca e morte por todas as causas.”

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