PM mantém operação na Zona Oeste após bandidados armados entrarem no Hospital Municipal Pedro II para matar baleado Rio de Janeiro, -agencia-cnn-, Hospital, Invasão CNN Brasil
A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro afirmou que a Polícia Civil já identificou um dos suspeitos de liderar a invasão do Hospital Municipal Pedro II, na zona Oeste do Rio, na madrugada desta quinta-feira (18).
Segundo o secretário Felipe Curi, o suspeito possui antecedentes por porte ilegal de arma, adulteração e clonagem de veículos e já havia sido preso em 2017 por envolvimento com milícia. A polícia investiga se o mandante do crime esteve presente no hospital.
O 27º BPM (Santa Cruz) reforçou o patrulhamento em Santa Cruz, também na zona Oeste, na manhã desta sexta-feira (19), e realiza operação na comunidade do Gouveia após a invasão do hospital. A Secretaria Municipal de Saúde informou que o atendimento no hospital segue normal.
Segundo a Polícia Militar, durante as ações de ontem, diversos pontos de atuação comercial e econômica foram desmobilizados na região, possivelmente explorados por milicianos. Sete pessoas foram detidas e apreendidos um simulacro de arma de fogo, um veículo roubado, 19 botijões de gás e produtos piratas ou sem nota fiscal. As ocorrências foram encaminhadas à 36ª DP (Santa Cruz).
Como ocorreu a invasão
Imagens de câmeras de segurança flagraram um grupo de oito homens vestidos de preto entrando no hospital, sendo que um deles usava um uniforme da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas) e estava armado com um fuzil. Apesar da aparência, ele não era policial.
Os criminosos percorreram os corredores até o centro cirúrgico, acreditando que Lucas Fernandes de Souza, de 31 anos, estaria lá. O paciente havia sido levado ao hospital após ter sido baleado ao menos nove vezes em uma emboscada dentro do condomínio Viva Felicidade, no mesmo bairro.
Em entrevista à CNN, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, contou que no momento, o Lucas já tinha sido levado à enfermaria, e os homens não o encontraram. Soranz ainda relatou que havia cerca de 300 pessoas internadas na unidade, incluindo 36 pacientes em estado grave no CTI, pais com crianças no colo e mulheres em parto.
“Nunca esperaríamos ver uma invasão de um hospital por homens armados. Isso causou um transtorno imenso nesta madrugada. Os hospitais sempre foram considerados áreas protegidas, mas essa situação vem se agravando.”, destacou o secretário.
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1 de 6Bandidos armados invadem hospital atrás de baleado no Rio • Reprodução
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2 de 6Invasão ocorreu por volta das 3h, do Hospital Pedro II • Reprodução
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3 de 6Segundo apuração da CNN, pelo menos 8 criminosos chegaram encapuzados no hospital atrás de um paciente baleado. • Reprodução
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4 de 6Ao chegar no hospital, foram em direção ao centro cirúrgico, mas o paciente não estava mais lá. • Reprodução
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5 de 6516 unidades de saúde tiveram que interromper o atendimento por violência somente neste ano • Reprodução
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6 de 6Agentes precisavam fazer a transferência do paciente por risco de uma nova ação. • Reprodução
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Investigações em andamento
A Secretaria de Segurança Pública afirmou, em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (18), que a Polícia Civil já identificou um dos suspeitos de liderar a invasão. Segundo o secretário Felipe Curi, ele possui antecedentes por porte ilegal de arma, adulteração e clonagem de veículos e já havia sido preso em 2017 por envolvimento com milícia. A polícia investiga se o mandante do crime esteve presente no hospital.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o paciente alvo do ataque, Lucas Fernandes de Souza, tem antecedentes por extorsão e foi preso pela DRACO em 2019, mas já havia sido condenado e estava em condicional, sem pendências jurídicas. Informações preliminares apuradas pelos investigadores apontam que ele teria deixado a milícia para integrar o CV (Comando Vermelho). Para a Polícia Civil, a ação teria como objetivo executá-lo, não resgatá-lo.
Reações de autoridades
O caso provocou troca de declarações entre autoridades. O secretário municipal de Saúde disse que, apenas em 2025, 516 unidades de saúde interromperam atendimentos por questões de segurança. O secretário estadual de Segurança Pública, Victor dos Santos, contestou os números e afirmou que nem 20% das unidades sofreram interferência.
Histórico de invasões em hospitais no RJ
Essa não é a primeira vez que hospitais do Rio são alvo de invasões. O estado já registrou ataques semelhantes com tentativas de resgate ou execuções: Hospital Getúlio Vargas (1994), Carlos Chagas (2008), Azevedo Lima (2014) e Souza Aguiar (2016), quando mais de vinte criminosos tentaram resgatar Nicolas Labre Pereira de Jesus, conhecido como “Fat Family”.

