Primeiro-ministro espanhol minimizou as declarações do presidente americano Internacional, Donald Trump, Espanha, Estados Unidos, Otan, Pedro Sánchez, Tarifas CNN Brasil
As críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Executivo espanhol liderado por Pedro Sánchez por não aumentar seus gastos em defesa só têm aumentado de tom nas últimas semanas. Embora isso aparentemente não tenha afetado muito o governo de coalizão da Espanha.
“Estou muito descontente com a Espanha”, declarou Trump nesta terça-feira (14) ao considerar “extremamente desrespeitoso” o fato de o país se tornar o único da Aliança Atlântica que não dedicará 5% do seu PIB (Produto Interno Bruto) à segurança, conforme acordado pelos demais membros na última cúpula.
No entanto, a semana anterior foi pior. O presidente dos EUA chegou a sugerir que a Espanha fosse “expulsa” da Otan caso não atingisse esse objetivo.
Em ambos os casos, o Executivo espanhol minimizou as declarações, assegurando que a Espanha é um país membro pleno e comprometido com a Otan, e que cumpre seus objetivos de capacidade tanto quanto os Estados Unidos.
Uma fórmula para aliviar a tensão causada pelas palavras de Trump e, ao mesmo tempo, deixar claro que a Espanha manterá o compromisso assumido em junho deste ano. Ou seja, que sua contribuição em defesa atingirá no máximo 2,1% do seu PIB, esforço que considera suficiente “para adquirir e manter todo o pessoal (militar), todo o equipamento, todas as infraestruturas solicitadas pela Aliança para enfrentar com nossas capacidades” os diferentes desafios.
No entanto, apesar de manter esse confronto aberto com o líder de uma das grandes potências mundiais e que mais influência tem na Otan, parece que isso não tem prejudicado muito o primeiro-ministro espanhol. Pelo contrário, isso lhe permite até obter ganhos políticos a nível nacional, aponta à CNN Moisés Ruíz, professor de Liderança Política e Comunicação na Universidade Europeia.
Sánchez tem “uma enorme habilidade política para transformar situações adversas em positivas”, destaca esse especialista. Uma habilidade que o mandatário da Espanha teria colocado em prática ao aproveitar a distância política que separa Trump das esquerdas na Espanha, demonstrando que é um líder político capaz de enfrentar suas ideias e posicionar o país no cenário internacional.
Além disso, Sánchez conta com o apoio da União Europeia. “Responderemos de maneira adequada, como sempre fazemos, a qualquer medida tomada contra um ou mais dos nossos Estados membros”, afirmou nesta quarta-feira (15) o porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, ao abordar a ameaça de Trump de um possível aumento das tarifas contra a Espanha.
O que dizem os eleitores?
O último levantamento do CIS (Centro de Investigações Sociológicas, organismo autônomo vinculado ao Ministério da Presidência, Justiça e Relações com o Parlamento), publicado nesta segunda-feira (13), indicava que a força liderada por Sánchez, o Partido Socialista Operário Espanhol, seria o partido mais votado neste momento caso fossem realizadas eleições gerais (que não estão previstas, salvo antecipações, até o verão de 2027).
Especificamente, essa pesquisa aponta que a formação socialista alcançaria 34,8% dos votos, seguida pelo Partido Popular, que acumula 19,8% da intenção de voto, muito próximo do Vox, que soma 17,7% da intenção de voto.
Cabe destacar que as 4.029 entrevistas realizadas pelo CIS para compor esse levantamento foram feitas entre 1 e 7 de outubro, dias antes de Trump sugerir a expulsão da Espanha da Otan. No entanto, desde junho passado o presidente dos EUA tem feito comentários semelhantes.
Não por acaso, ao final da cúpula da Otan em Haia, Trump já havia afirmado que faria a Espanha “pagar o dobro” por não aumentar seus gastos em defesa como os demais aliados.

