Mauricio Lyrio falou sobre os desafios nas negociações do evento em Belém; apenas 111 dos 198 países apresentaram suas NDCs Brasil, Clima, COP30, Mudanças climáticas CNN Brasil
O embaixador Mauricio Lyrio, secretário do Clima da COP30 e um dos principais negociadores do nosso país no evento, revelou uma “decepção” da organização com a quantidade de NDCs – contribuições nacionalmente determinadas – entregues pelos países até então.
“Este ano tivemos uma certa decepção com a lentidão com que as NDCs foram apresentadas, e em alguns casos, nem apresentaram”, falou Lyrio em entrevista à CNN Brasil.
Até o momento, na COP30, 111 países entregaram suas NDCs, dentre os 198 signatários do Acordo de Paris.
“Em termos de emissão é bom, é um número razoável. Mas ainda não é o suficiente, pois alguns países não apresentaram”, falou Lyrio. “O quadro é ainda preocupante, mas o avanço foi feito.”
As NDCs são compromissos nacionais de redução de emissões e adaptação climática assumidos voluntariamente por cada nação que integra o Acordo de Paris. Cada país define sua própria NDC para contribuir com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais.
Incógnita dos EUA
O secretário do Clima da COP30 também destacou que há uma incógnita envolvendo as emissões dos Estados Unidos. O país deixou o Acordo de Paris no início do ano, após a vitória do presidente Donald Trump. No entanto, os EUA haviam apresentado uma meta para reduzir as emissões em NDC divulgada ainda no governo Biden.
“Não é uma surpresa que os EUA não vieram. Quatro países não fazem parte do Acordo de Paris e os EUA é um deles”, falou Lyrio. O embaixador também ressaltou a presença do governador da Califórnia, Gavin Newsom, na COP, falando que um dos maiores estados do país está “muito bem representado”.
Divisão entre países em desenvolvimento e desenvolvidos
Mauricio Lyrio ainda ressaltou que em uma negociação que envolve 198 partes será sempre difícil alcançar consenso.
“Existe uma fratura no meio da negociação, uma divisão principal. Que é que os países ricos querem que todos façam mais em termos de limitar emissões de CO2, por outro lado, países em desenvolvimento cobram dos países ricos que eles paguem pela transição energética“, falou. “Esse é o antagonismo básico que faz com que alcançar o consenso não seja tão fácil.”
COP30 em Belém: o significado para o Brasil em sediar o encontro

