Ex-secretário de Comércio Exterior pondera, contudo, que efeito não alcança toda a pauta exportadora Macroeconomia, CNN Brasil Money, Donald Trump, exportações brasileiras, tarifaço de Trump CNN Brasil
A decisão dos Estados Unidos de retirar tarifas para parte dos produtos brasileiros precisa ser analisada com cautela, afirmou à CNN Brasil o ex-secretário de Comércio Exterior e sócio da consultoria BMJ, Welber Barral.
Segundo ele, embora itens relevantes tenham sido contemplados, uma parcela significativa das exportações nacionais permanece sujeita a sobretaxas.
Barral explica que a ordem executiva reduz tarifas para produtos listados nos anexos 1 e 2, que incluem carne bovina, café e diversas frutas, além de componentes aeronáuticos e alguns bens industriais e químicos. O ex-secretário pondera, contudo, que o efeito não alcança toda a pauta exportadora.
“Tem muito produto industrial claro que continua com [sobretaxa de] 40%. Então, o Brasil continua sendo afetado em alguns produtos, inclusive de transformação. É o caso de café solúvel. Entrou café, mas nunca entrou café solúvel”, pontuou.
Barral destacou ainda que outras medidas aplicadas pelos Estados Unidos seguem em vigor e continuam pressionando setores específicos. “Aço, alumínio, madeira, móveis e cobre têm tarifa de 50% por causa da [ordem executiva] 232. Não é essa medida que altera essas tarifas; elas continuam sendo afetadas”, explicou.
Além disso, permanece aberta a investigação da Seção 301 conduzida pela USTR (Representação Comercial dos Estados Unidos), que pode gerar novas restrições. “A investigação da 301 não terminou. O Brasil vai ter que negociar”, disse Barral.
O especialista resume que a retirada de tarifas representa um alívio para itens importantes, mas não elimina a necessidade de negociações estruturais. “Há avanços, mas ainda há muitos produtos com tarifas elevadas e investigações em curso”, afirmou.
O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou a ordem executiva que alivia alguns produtos brasileiros das sobretaxas, nesta quinta-feira (20), com efeito retroativo ao dia 13 de novembro.
Dentre os produtos citados no anexo, estão inclusos café, carne bovina, petróleo e frutas, produtos na lista dos mais exportados pelo Brasil aos americanos, que agora estão isentos das sobretaxas impostas desde o início do tarifaço.
O comunicado assinado por Trump também cita conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ocorrida no dia 6 de outubro, na qual os líderes teriam concordado em negociar as tarifas citadas.
O republicano afirma que “recomendações adicionais” da equipe do governo norte-americano e o avanço nas negociações com os brasileiros levaram à remoção das cobranças.
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