Presidente americano deu menos de uma semana para Kiev aceitar a proposta, considerada favorável a Moscou Internacional, Donald Trump, Estados Unidos, Ucrânia, Volodymyr Zelensky CNN Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu à Ucrânia menos de uma semana para aceitar seu plano – amplamente visto como favorável à Rússia – para acabar com a guerra.
O presidente Volodymyr Zelensky disse que seu país enfrenta “um dos momentos mais difíceis” de sua história.
“Eu já tive muitos prazos, mas se as coisas estão indo bem, você tende a estender os prazos. Mas quinta-feira é o prazo final”, disse o presidente em uma entrevista de rádio à Fox News.
Em um pronunciamento em vídeo na sexta-feira, Zelensky afirmou que o plano dos EUA para encerrar a guerra significaria que seu país perderia sua dignidade ou um aliado-chave.
O plano de 28 pontos apresentado por Trump pressiona Kiev a ceder território, limitar o tamanho de suas forças armadas e prometer não se juntar à OTAN em troca do fim da guerra, todas exigências de longa data do Kremlin.
O presidente russo, Vladimir Putin, disse em uma reunião do Conselho de Segurança na noite de sexta-feira que havia recebido o plano proposto pelos EUA para a Ucrânia, afirmando: “Acredito que isso poderia servir como base para um acordo de paz final.”
Em seu pronunciamento em vídeo, Zelensky disse: “A pressão sobre a Ucrânia agora está em seu ponto mais intenso. A Ucrânia pode agora enfrentar uma escolha muito difícil: ou a perda da dignidade, ou o risco de perder um parceiro chave, ou 28 pontos difíceis, ou um inverno extremamente severo.”
A Ucrânia “trabalhará com calma” e rapidez com os EUA e seus parceiros para pôr fim à guerra, afirmou Zelensky. O líder ucraniano conversou com o vice-presidente dos EUA, JD Vance, na sexta-feira sobre o plano.
Vários líderes europeus se manifestaram em apoio à Ucrânia desde que os detalhes da proposta de Trump foram divulgados, prometendo apoiar Kiev e insistindo que nenhuma decisão sobre o futuro do país seja tomada sem a sua participação.
No entanto, a UE parece ter ficado de fora, já que os EUA ainda não compartilharam um documento oficial, disse o presidente do Conselho Europeu, António Costa, na sexta-feira.
Em uma ligação conjunta com Zelensky na sexta-feira, a chanceler alemã Friedrich Merz, o presidente francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro britânico Keir Starmer “acordaram em continuar a perseguir o objetivo de salvaguardar os interesses vitais europeus e ucranianos a longo prazo.”
Isso inclui “garantir que a linha de contato seja o ponto de partida para um entendimento e que as forças armadas ucranianas permaneçam capazes de defender efetivamente a soberania da Ucrânia”, disse um comunicado de imprensa do governo alemão, o que difere da proposta dos EUA, que pede que a Ucrânia se retire de parte de seu próprio território.
Zelensky diz que não vai trair a Ucrânia
Trump parece estar dando à Rússia quase tudo o que deseja, com boa parte do texto lembrando as posições maximalistas que Moscou adotou durante as negociações em Istambul em 2022, logo após a invasão e quando suas forças controlavam mais território da Ucrânia.
Assim como a proposta elaborada pela administração Trump, que levou ao cessar-fogo em Gaza, o plano para a Ucrânia é apresentado como uma lista de tópicos, delineando compromissos que cada lado faria para alcançar um fim duradouro para o conflito.
O plano para a Ucrânia – que foi visto pela CNN – pede a interrupção dos combates, financiamento global para a reconstrução e uma comissão supervisionando os compromissos, liderada pelo presidente dos EUA. A veracidade do rascunho do plano foi confirmada por um funcionário dos EUA.
Muitas das ideias apresentadas no plano de 28 pontos foram rejeitadas em negociações anteriores.
O plano exige que a Crimeia, Luhansk e Donetsk, ocupadas pela Rússia, sejam reconhecidas “como de fato russas, incluindo pelos Estados Unidos”, uma linha vermelha anterior para Kiev.
O plano pede que as forças ucranianas se retirem das partes do leste de Donetsk que controlam atualmente, “e essa zona de retirada será considerada uma zona neutra desmilitarizada, reconhecida internacionalmente como território pertencente à Federação Russa.”
O rascunho do plano inclui um compromisso de que a Ucrânia não se juntará à Otan, e que a aliança não estacionará tropas no país. Além de limitar o tamanho das forças armadas ucranianas a 600.000 militares e exige eleições ucranianas dentro de 100 dias – algo que seria extremamente desafiador de organizar.
Ele também delineia o retorno da Rússia à economia global, incluindo o levantamento das sanções e um convite para reingressar no G8.
Na entrevista à Fox News na sexta-feira, Trump disse que Putin “não está buscando mais guerra” e está “tomando punição”, apesar de o plano parecer oferecer grandes concessões à Rússia.
Zelensky disse que trabalharia 24 horas por dia para encontrar um caminho a seguir no plano, enquanto afirmava que não trairia seu país.
“Eu apresentarei argumentos, eu persuadirei, eu oferecerei alternativas, mas definitivamente não daremos ao inimigo nenhum motivo para dizer que a Ucrânia não quer a paz, que está obstruindo o processo e que a Ucrânia não está preparada para a diplomacia”, concluiu Zelensky.

