Viagens foram suspensas após alerta de segurança dos EUA; em retaliação, Caracas revogou licenças das empresas para operar no espaço aéreo venezuelano Internacional, Avião, Caribe, Companhias aéreas, Estados Unidos, Gol, Latam, Nicolás Maduro, Venezuela, Voos CNN Brasil
A Venezuela revogou nesta quinta-feira (27) a licença de seis grandes companhias aéreas para operar no país, depois que as empresas suspenderam os voos internacionais devido a um alerta de segurança dos Estados Unidos.
As autoridades venezuelanas haviam exigido que as companhias retomassem as operações em até 48h, sob o risco de perder a licença para operar, mas a pressão não surtiu efeito.
Diante disso, a autoridade de aviação da Venezuela acusou as companhias aéreas, incluindo a Gol e a Latam, de se unirem “às ações de terrorismo de Estado promovidas pelos Estados Unidos” ao suspenderem “unilateralmente” os voos comerciais.
A decisão das empresas de interromper as viagens para a Venezuela veio após um alerta da FAA (Administração Federal de Aviação dos EUA) sobre o aumento da atividade militar na região e dos riscos de sobrevoar o país.
O especialista em segurança de voo Roberto Peterka esclarece que o procedimento é padrão em áreas de conflito armado ou quando há outros riscos de segurança, como em casos de erupção vulcânica, por exemplo. “É prática normal as empresas adotarem medidas de segurança para a proteção de seus passageiros, tripulantes e as próprias aeronaves”, explica.
Peterka também relembra um caso recente: o voo J2-8243 da Azerbaijan Airlines, que ia de Baku para a capital chechena, Grozny, quando precisou desviar do sul da Rússia e caiu no Cazaquistão, em 25 de dezembro do ano passado. Pelo menos 38 pessoas morreram.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, admitiu que dois mísseis russos detonaram ao lado do avião, depois que drones ucranianos entraram no espaço aéreo russo, e emitiu um raro pedido de desculpas ao presidente do Azerbaijão.
No caso da Veneuzela, o comunicado da FAA citou o “agravamento da situação de segurança e o aumento da atividade militar” na região e afirmou que as ameaças podem representar riscos para aeronaves em todas as altitudes. Os EUA têm reforçado os recursos militares no Caribe, incluindo o posicionamento do maior porta-aviões da Marinha dos EUA, pelo menos oito outros navios de guerra e caças F-35, sob a justificativa de combater o narcotráfico.
Mesmo após o anúncio da revogação das licenças para operar na Venezuela, as companhias aéreas afetadas — Iberia, TAP, Avianca, Latam Colombia, Turkish Airlines e Gol — não recuaram. O ministro das Relações Exteriores de Portugal defendeu a decisão da estatal TAP Air de suspender os voos e disse que qualquer outra medida “seria irresponsável”.
“O que nós temos que fazer é, através da nossa embaixada, sensibilizar as autoridades venezuelanas de que esta medida é desproporcional, de que não temos nenhuma intenção de cancelar nossas rotas para a Venezuela e que só fizemos isso por uma questão de segurança”, explicou o ministro Paulo Rangel.
Especialistas avaliam que a suspensão dos voos deve ter pouco impacto na aviação global. O piloto e assessor em segurança de voo Comandante Durval Fantozzi Filho explica que a Venezuela não representa um número significativo de voos em termos comerciais.
O especialista alerta, no entanto, que pode haver algum aumento no preço dos bilhetes aéreos de rotas que sobrevoavam o espaço aéreo venezuelano. “As aeronaves que eventualmente voavam sobre o espaço aéreo da Venezuela para cruzar outros continentes, outras rotas, essas aeronaves compulsoriamente vão ter que desviar, o que vai causar o aumento do tempo de voo e, como consequência, o aumento do combustível, do gasto. Mas o impacto econômico não deve ser significativo”, diz o comandante.
A conclusão do especialista Roberto Peterka é de que, em última análise, a Venezuela tem poucas opções: “A Venezuela não tem ingerência a esse respeito nos voos civis. A única medida que eles podem tomar é cancelar a autorização de voos dessas empresas no seu território. Com o passar do tempo e a normalização dessa situação, a Venezuela terá que conceder novas licenças”.

