Economia brasileira voltou a desacelerar no terceiro trimestre de 2025, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (4) Macroeconomia, CNN Brasil Money, crescimento econômico, fiscal, Juros, PIB (Produto Interno Bruto) CNN Brasil
Após a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre, que mostrou desaceleração, economistas veem uma possível redução da taxa de juros pelo Banco Central no início do próximo ano. Por outro lado, analistas alertam para o cenário fiscal no Brasil, problema que irá persistir durante 2026, ano que deve ser marcado pelo aumento nos gastos públicos.
Em entrevista ao CNN Money, a professora de economia do Insper, Juliana Inhasz, disse que o resultado do PIB deve fazer com que o BC assuma um tom mais brando. Segundo ela, “talvez o discurso agora comece a ficar um pouco mais suave.”
Segundo Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, há um espaço para o Banco Central reduza a taxa de juros no primeiro trimestre de 2026. Vale explica que o patamar elevado da Selic, atualmente em 15% ao ano, se deve ao cenário fiscal e a dívida brasileira.
A economia brasileira voltou a desacelerar no terceiro trimestre, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira (4).
O PIB (Produto Interno Bruto) – soma de todas as riquezas produzidas pelo país – cresceu 0,1% na comparação com o segundo trimestre, levemente abaixo da expectativa do mercado, que era de variação de 0,2%.
Na última ata divulgada, em novembro, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central mostrou convicção de que a taxa atual é suficiente para assegurar a convergência da inflação em torno da meta, mas não hesitará em retomar o ciclo de alta se julgar apropriado.
A próxima reunião para decisão de juros será em 9 e 10 de dezembro. A taxa Selic segue em 15%, maior nível em quase duas décadas.
Para o economista da MB Associados, os juros seguem elevados, devido às questões estruturais, principalmente ao cenário fiscal e a dívida brasileira. “Entraremos em 2026 com esse patamar elevado, e a economia brasileira vai desacelerar.”
“É necessário a intervenção do Banco Central, em um esforço para mudar o cenário do país que enfrenta uma economia em processo de desaceleração, inflação residual”, explica.
Além disso, ambos especialistas alertam que os gastos públicos devem crescer mais em 2026, que será marcado pelo período eleitoral, o que gera também incertezas.
“Em termos de incerteza, de riscos, sem dúvida o ano é um pouco mais fraco. Porque a gente tem eleição, qualquer possibilidade de reforma, de mudança maior, vai acontecer nos seis primeiros meses e a gente sabe de todos os desafios que o governo tem hoje para conseguir fazer mudanças estruturais.”, explica Inhasz.
Segundo Vale, há uma expansão dos gastos públicos há 3 anos, desde 2023, quando houve uma mudança na inclinação da curva. Esse cenário, segundo ele, também “dificulta a visão do banco central.”
“Ainda assim, há espaço para a taxa de juros cair no primeiro trimestre, pois o BC olha o cenário em 18 meses, e tem um caminho que está sendo feito.”
Referente à 2026, Inhasz explica que o BC pode manter a taxa de juros elevada até o começo do ano. “Talvez a queda ainda não aconteça nas primeiras reuniões. A gente ainda pode perceber uma continuidade até a economia realmente estar bem mais sólida para a queda acontecer.”
Outros economistas também comentaram o crescimento econômico brasileiro. Segundo Leonardo Costa, economista do ASA, o resultado do PIB no terceiro trimestre confirma uma desaceleração gradual da atividade.
Para ele, o resultado ficou praticamente estável, apesar da “forte injeção de renda via pagamento de precatórios.”
“O fato de esse estímulo ter gerado apenas uma resposta moderada mostra que a economia vem perdendo tração, especialmente no consumo das famílias, onde o efeito defasado de uma política monetária significativamente mais apertada já aparece com mais clareza.”, explica.
Revisão e projeção para o último trimestre
Segundo Leonrado, a revisão das séries indica que o início de 2025 foi mais forte do que inicialmente divulgado, mas isso não altera o quadro: o ano segue marcado por arrefecimento ao longo dos trimestres.
O Banco Central revisou a projeção de crescimento do PIB de 2025 para 2%, também nesta quinta. No relatório anterior, estava em 2,1%.
Segundo o BC, os efeitos da moderação do crescimento econômico e dos reflexos da tarifa no Brasil foram parcialmente compensados pelas previsões mais favoráveis para a agropecuária, influenciada pela safra recorde.
“Olhando para frente, os indicadores antecedentes sugerem que outubro foi um mês de atividade mais fraca, coerente com o padrão observado no terceiro trimestre”, disse Costa.
“Por outro lado, novembro dá sinais ainda incipientes, muito baseados em notícias de varejo e relatos do setor, de uma retomada parcial, favorecida pela Black Friday. Ainda assim, esse impulso é pontual e não altera, por ora, a tendência predominante de moderação da atividade ao entrar no final de 2025.”
Segundo o economista, a projeção do PIB, após as revisões do IBGE, é que haja um crescimento anual da economia brasileira em torno de 2,2% neste ano.

