Emissoras espanholas e de outras nações ameaçaram boicotar o evento se o país for incluído Entretenimento, #CNNPop, Eurovision, Israel, Música CNN Brasil
As emissoras nacionais por trás do Festival Eurovision se reúnem nesta quinta-feira (4) para discutir se Israel deve ser impedido de participar no próximo ano, após ameaças de alguns de se retirarem devido à guerra em Gaza.
A questão dividiu profundamente os participantes na competição, que atrai milhões de telespectadores em todo o mundo e tem um histórico de envolvimento em rivalidades nacionais, questões internacionais e votação política.
Emissoras espanholas e de outras nações ameaçaram boicotar o evento se Israel for incluído, citando o número de mortes em Gaza e acusando o país de desrespeitar as regras destinadas a proteger a neutralidade oficial do concurso.
A Alemanha, uma das principais apoiadoras do Eurovision, disse que não participará se Israel for barrado. Israel, que ficou em segundo lugar no concurso este ano, não respondeu às acusações, mas argumentou que enfrenta uma campanha global de difamação.
Mais telespectadores que o Super Bowl
A reunião discutirá novas regras destinadas a desencorajar governos e terceiros de promoverem excessivamente canções para influenciar os eleitores, após alegações de que Israel impulsionou injustamente seu concorrente este ano.
Se os membros não conseguirem chegar a um acordo sobre essas regras, eles poderão realizar uma votação sobre a participação de Israel, disse a EBU (União Europeia de Radiodifusão), que organiza o concurso.
O concorrente de Israel para 2025, Yuval Raphael, estava no festival de música Nova, um dos alvos dos ataques do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra em Gaza.
Um total de 1.200 pessoas foram mortas e 251 feitas reféns nos ataques, de acordo com as contagens israelenses. A subsequente ofensiva de Israel matou mais de 70.000 palestinos, a maioria civis, dizem autoridades de saúde no enclave.
A emissora pública israelense KAN disse que está se preparando para o concurso do próximo ano e em breve anunciará mudanças em seu processo de seleção de concorrentes.
Acrescentou que apresentará sua posição sobre uma possível desqualificação na reunião, que não é aberta ao público.
O Festival Eurovision remonta a 1956 e alcança cerca de 160 milhões de telespectadores, de acordo com a EBU — mais do que os quase 128 milhões registrados para o Super Bowl dos EUA deste ano, de acordo com números da Nielsen.
A participação é baseada na adesão à EBU e não se limita à Europa.
Alemanha diz que Israel deve permanecer no concurso
Emissoras públicas da Eslovênia, Irlanda, Espanha e Holanda ameaçaram boicotar o concurso de maio de 2026, que será sediado pela Áustria.
O chefe da emissora espanhola RTVE, Jose Pablo Lopez, publicou no X que a gestão da EBU e do Eurovision estava sujeitando sua organização à “maior tensão interna de sua história”.
A EBU não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
Ao chegar para a reunião na sede da EBU, o presidente da emissora nacional de Portugal RTP, Nicolau Santos, disse à Reuters que sua organização apoiava as novas regras, sem comentar sobre a participação de Israel.
A emissora finlandesa Yle disse que só participará do próximo concurso se as regras propostas forem implementadas e se houver garantias adicionais de segurança para os participantes e o público.
“O propósito original dop Eurovision tem sido criar um espaço onde podemos nos encontrar apesar das diferenças e dos desacordos,” disse a CEO da Yle, Marit af Björkesten, em um comunicado.
O Ministro de Estado da Cultura da Alemanha, Wolfram Weimer, disse à Reuters que Berlim não deveria participar se Israel fosse excluído.
“Israel pertence ao Festival Eurovision”, disse ele. Um porta-voz da emissora alemã ARD disse que esperava “discussões construtivas”.
Sob as novas regras propostas, um júri profissional expandido seria reintroduzido na fase semifinal e teria cerca de 50% dos votos. A outra metade permaneceria uma votação pública.
Os membros da audiência teriam um máximo de 10 votos para depositar, em vez de 20, e seriam encorajados a apoiar múltiplas entradas, disse a EBU.

