Levantamento do Instituto França, realizado em todo o estado de São Paulo entre 24 e 28 de dezembro, com 1.700 entrevistas por telefone e obtido com exclusividade pelo JOTA, aponta um cenário amplamente desfavorável ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no maior colégio eleitoral do país. A desaprovação à gestão federal chega a 59%, enquanto 36,3% aprovam o governo, indicando um ambiente político hostil ao Planalto em território paulista na virada para o ano eleitoral. A pesquisa tem margem de erro de 2,4 pontos percentuais e nível de confiança de 95% para as estimativas gerais.
Na avaliação do trabalho do presidente Lula, o diagnóstico traçado pela pesquisa é ainda mais duro: 51,4% classificam o governo como ruim ou péssimo, enquanto apenas 27% avaliam como ótimo ou bom. O dado sugere que a rejeição ao governo federal no estado não é apenas conjuntural, com patamares superiores à média nacional. Ao mesmo tempo, o presidente preserva resiliência em sua base tradicional de apoio, que continua sustentando seus índices mesmo em um ambiente amplamente adverso.
Em conjunto, esses dois indicadores reforçam a leitura de que São Paulo segue como um dos principais polos de resistência eleitoral a Lula, impondo limites objetivos à sua influência direta na disputa estadual de 2026 e sinalizando, ao mesmo tempo, um ambiente adverso para sua própria campanha à reeleição. O desempenho em São Paulo tende a ser determinante para o sucesso ou o fracasso do presidente nas urnas.
Governo de São Paulo
Em contraste com o cenário federal no estado, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece com avaliação amplamente positiva entre os paulistas. A gestão estadual é aprovada por 61% dos eleitores, enquanto a desaprovação soma 35,7%, resultando em um saldo favorável superior a 25 pontos percentuais.
Na avaliação do trabalho do governo, 55,4% classificam a gestão como ótima ou boa, frente a 29,1% que a consideram ruim ou péssima; outros 12% avaliam a gestão como regular. Os números indicam um governo politicamente bem avaliado, com baixa taxa de insatisfação e capacidade de sustentar uma maioria clara no eleitorado do estado.O contraste direto com os índices de aprovação do presidente Lula no mesmo território evidencia uma desconexão entre os humores federal e estadual, com implicações diretas para o xadrez político nacional de 2026.
Cenários eleitorais
O instituto testou quatro cenários de primeiro turno para o governo de São Paulo. Nos quadros estimulados, Tarcísio de Freitas aparece com ampla vantagem sempre que é incluído na disputa. No principal cenário, o governador registra 46,4% das intenções de voto, abrindo mais de 24 pontos sobre Fernando Haddad (PT), que soma 22,3%. Kim Kataguiri (Missão) aparece em terceiro lugar na pesquisa, com 7,8% das intenções de voto.
O baixo índice de indecisos sugere que o eleitorado já está amplamente posicionado, reduzindo o espaço para crescimento orgânico da disputa. Nesse contexto, eventuais mudanças no cenário tendem a depender menos da conquista de novos eleitores e mais do rearranjo de candidaturas, alianças e substituição de nomes no tabuleiro eleitoral, avalia o diretor do instituto, Willan França.
Mesmo em simulações com mudanças no campo adversário — como a eventual entrada do vice-presidente e ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) —, Tarcísio segue isolado na liderança, com 44,4% das intenções de voto, abrindo uma vantagem de 20 pontos sobre Alckmin, que registra 24%. O desempenho indica viabilidade de vitória ainda no primeiro turno, condicionada sobretudo ao grau de fragmentação do campo oposicionista.
Cenários sem Tarcísio: disputa aberta
Quando Tarcísio não é testado como candidato — uma hipótese considerada cada vez menos provável, à medida que o governador se afasta da disputa nacional — e passa a figurar apenas como fiador político de seu vice, Felício Ramuth (PSD), o cenário se altera. Nessa configuração, a corrida se torna mais equilibrada e passa a favorecer o Planalto, com Geraldo Alckmin ou Fernando Haddad na liderança, ainda que ambos permaneçam abaixo dos 30%.
Já o candidato apoiado pelo governador mantém desempenho competitivo para avançar ao segundo turno, pontuando acima de 20%, mas em patamar claramente inferior ao potencial eleitoral de Tarcísio. Em síntese, o dado sugere que o capital eleitoral de Tarcísio é parcialmente transferível, mas não integral, pelo menos nesse momento da disputa.
Já o candidato apoiado pelo governador mantém desempenho competitivo para avançar ao segundo turno, pontuando acima de 20%, mas em patamar claramente inferior ao potencial eleitoral de Tarcísio. Em síntese, esses números indicam que o capital eleitoral do governador é parcialmente transferível, mas não integral — ao menos neste momento distante das urnas, em que o peso da identificação pessoal é mais forte.

