Capital paulista bateu recordes de temperatura em dezembro, atingindo 37,2° C. Segundo Pedro Côrtes, arborização e postos de hidratação são essenciais para combater ondas de calor nas cidades Nacional, -transcricao-de-videos-, Calor, Clima, Meio ambiente, Mudanças climáticas CNN Brasil
São Paulo bateu recorde de calor em mais de 60 anos no último domingo (28), quando os termômetros registraram 37,2º C. O fenômeno preocupa especialistas que apontam a falta de preparo das grandes cidades brasileiras para enfrentar ondas de calor extremo, um problema que tende a se agravar com as mudanças climáticas. Análise é de Pedro Côrtes no CNN Novo Dia.
Segundo analista de Meio Ambiente da CNN, existem dois tipos de medidas para enfrentar o problema: preventivas e reativas. “As medidas preventivas, como arborização e aumento na quantidade de áreas verdes, são fundamentais porque a gente tem a sombra e tem também a manutenção da umidade”, explicou.
O especialista ressalta que áreas com maior concentração de concreto e asfalto funcionam como verdadeiros “desertos urbanos”. “Tanto o concreto quanto o asfalto absorvem muito rapidamente o calor e mantêm esse calor durante a noite. Esse calor não se dissipa”, alertou Côrtes. Ele defende a substituição de áreas asfaltadas por pavimentos mais permeáveis, que permitam maior circulação da umidade e, consequentemente, um equilíbrio maior da temperatura.
Medidas emergenciais para proteger a população
Entre as ações reativas, o professor destacou iniciativas que já estão sendo implementadas em algumas cidades brasileiras. No Rio de Janeiro, por exemplo, há um protocolo que alerta centros de saúde sobre o possível aumento no atendimento de crianças e idosos, grupos mais vulneráveis ao calor extremo.
Postos de hidratação também têm sido instalados em cidades como Rio de Janeiro e Santos, no litoral paulista. “Mas as pessoas acabam esquecendo de se hidratar, de tomar água, num período como esse”, observou o especialista. Outra medida importante são os abrigos climatizados com temperaturas mais baixas, onde as pessoas podem se recuperar do calor extremo.
Pedro Côrtes fez um alerta importante sobre a intensidade do fenômeno atual: “Eu moro em São Paulo há muito tempo e nunca presenciei isso. Foram três dias seguidos de altas temperaturas, um dezembro extremamente quente, o que não é normal”. Segundo ele, nesta época do ano já deveriam estar ocorrendo períodos mais chuvosos, com temperatura um pouco mais amena, o que ainda não aconteceu, evidenciando a gravidade das alterações climáticas em curso.

