Marcos Vinícius de Freitas comparou a ação atual com outras intervenções americanas na América Latina e destacou a preocupação com a forma como a interferência ocorre Internacional, -transcricao-de-videos-, América Latina, Estados Unidos, Nicolás Maduro, Venezuela CNN Brasil
A ofensiva militar dos EUA contra a Venezuela, na madrugada deste sábado (3), não possui fundamentação no direito internacional, segundo análise do professor Marcos Vinícius de Freitas, especialista em relações internacionais na China Foreign Affairs University.
Durante entrevista, Freitas traçou paralelos entre a atual intervenção americana e ações anteriores na América Latina, como a operação contra Manuel Noriega, no Panamá.
“Existem algumas semelhanças com relação a sanções econômicas e tentativa de sufocar o regime antes de uma ação mais ativa, como aconteceu nesse caso”, explicou o especialista.
O professor destacou que, inicialmente, Donald Trump utilizou o combate ao narcotráfico como justificativa para a intervenção.
“O argumento inicial foi a questão das drogas. Trump afirmou que os Estados Unidos tinham um problema muito grande com a Venezuela porque ela é um grande fornecedor de drogas”, relatou Freitas.
No entanto, segundo ele, analistas indicam que a Venezuela não é um ponto essencial nessa questão.
Interesses estratégicos e geopolíticos
Freitas observou que os reais motivos por trás da ação militar americana podem estar relacionados a interesses econômicos e geopolíticos.
“Trump já havia falado na primeira presidência sobre por que os Estados Unidos não tomavam a Venezuela, que tem a maior reserva de petróleo do mundo reconhecida”, comentou o professor.
Além do interesse pelos recursos naturais, o especialista mencionou outros fatores determinantes.
“Com a presença chinesa e russa na Venezuela, todos estes são elementos para que um indivíduo ideológico como Marco Rubio, que tem a sua origem em Cuba e que vê com preocupação regimes mais à esquerda, fizesse com que Donald Trump agisse nesse processo todo”, disse Freitas.
O professor fez questão de ressaltar que sua análise não representa uma defesa do governo venezuelano.
“Não é uma defesa de Maduro, afinal, todos na região não gostam dele, isso está muito claro. A América Latina em peso é contrária à continuidade de Maduro”, afirmou.
No entanto, enfatizou que “a forma como é feita é que é muito complicada. Começar a agir com uma interferência direta e brutal nos países”.
Para Freitas, o grande desafio da situação atual é que, apesar de Maduro não contar com a solidariedade do próprio continente, a ação militar americana não respeita os limites estabelecidos pelo direito internacional, o que representa uma grande preocupação.

