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Portal Nação® > Noticias > outros > Andar de bicicleta pode afetar sua vida sexual? Especialista explica 
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Andar de bicicleta pode afetar sua vida sexual? Especialista explica 

Última atualização: 5 de janeiro de 2026 11:02
Published 5 de janeiro de 2026
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Urologia esclarece se o ciclismo pode causar problemas de próstata ou de ereção  Saúde, -cnn-espanhol-, Bicicleta, Próstata, Saúde sexual CNN Brasil

Contents
Leia MaisEm quais fases da vida a atividade física é mais importante para a saúde?Pedalar pode ajudar a proteger cérebro contra demência, diz estudoComo se motivar para sair do sedentarismo? Veja dica para se manter ativoA pressão que se sente na próstataProstatite: uma condição incompreendidaE quanto à disfunção erétil?Uma breve revisão sobre a disfunção erétilPor que os sintomas persistem ao pedalar?Como proteger a saúde pélvicaQuando procurar avaliação médicaEm resumo

Durante a pandemia, fiz o que muitas outras pessoas fizeram: comprei uma bicicleta ergométrica. Entrei em aulas em grupo, aumentei a resistência e pedalei para melhorar minha saúde. Depois de algumas semanas, comecei a notar algo inesperado: uma pressão sutil e intermitente perto da próstata que persistia ao longo do dia. Como urologista, saber o que essas sensações às vezes podem indicar só me deixou ainda mais ansioso.

A bicicleta estava irritando algo importante? Era o início de uma dor crônica na próstata ou até de problemas na intimidade? A preocupação aumentou tanto que parei de pedalar e, por fim, vendi a bicicleta. Esse medo é algo que escuto dos meus pacientes o tempo todo: o ciclismo está causando meus problemas de próstata ou de ereção? A resposta científica é que provavelmente não.

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No meu caso, e em muitos outros, o problema não era a bicicleta nem o exercício. Era minha postura e meu estado mental.

A pressão que se sente na próstata

A próstata fica logo abaixo da bexiga e envolve a uretra. Ela está localizada profundamente na pelve, diretamente acima do períneo (a área macia entre o escroto e o ânus). Qualquer coisa que irrite essa região, incluindo pressão, músculos tensionados ou permanecer sentado por longos períodos, pode criar sensações que os homens interpretam como “dor na próstata”.

O ciclismo concentra o peso corporal no períneo, onde passam o nervo pudendo, os principais vasos sanguíneos e os músculos do assoalho pélvico. Os principais nervos envolvidos nas ereções também percorrem a superfície externa da próstata, portanto a irritação nos tecidos ao redor pode ser sentida como um problema de próstata ou de função sexual, mesmo quando a glândula em si está normal.

Um selim estreito ou tradicional pode pressionar essas áreas sensíveis por longos períodos, causando ardor, pressão ou uma sensação de contusão. Esse desconforto é real, mas não significa que a próstata ou os nervos ao redor estejam lesionados. O ciclismo afeta os tecidos ao redor da glândula, não a glândula em si. Isso está de acordo com o que apontam as diretrizes mais recentes da Associação Americana de Urologia: a pressão perineal e permanecer sentado por muito tempo são fatores desencadeantes de dor pélvica e escrotal, não de uma lesão real da próstata.

Prostatite: uma condição incompreendida

A prostatite é um dos diagnósticos mais incompreendidos da minha especialidade. A forma bacteriana grave — que causa febre, calafrios e sintomas urinários intensos — é rara. Com muito mais frequência, os homens recebem o diagnóstico de prostatite mesmo quando não há infecção. Os sintomas decorrem da irritação ou tensão dos músculos do assoalho pélvico, hipersensibilidade nervosa, estresse ou permanecer sentado por longos períodos — problemas que não aparecem em exames ou culturas de urina. A sensibilidade nesses músculos é observada em um número significativo de homens com dor pélvica, o que ajuda a explicar por que os sintomas podem ser tão semelhantes aos da inflamação da próstata.

O ciclismo pode agravar a pressão nesses músculos em alguns ciclistas, especialmente se eles permanecem sentados durante todo o percurso ou se são iniciantes. O desconforto resultante pode ser idêntico ao de uma inflamação verdadeira da próstata, mesmo que a próstata em si esteja saudável.

E quanto à disfunção erétil?

O medo da disfunção erétil costuma surgir no momento em que os homens sentem pressão ou dormência na região pélvica após um passeio de bicicleta. Estudos mais antigos levantaram a preocupação de que o ciclismo pudesse reduzir o fluxo sanguíneo para o pênis. Esses primeiros estudos ganharam manchetes, e muitos homens ainda assumem que existe uma relação direta entre ciclismo e disfunção erétil, mas isso não é necessariamente verdade.

Pesquisas mais recentes mostram que o ciclismo regular não aumenta o risco de disfunção erétil a longo prazo. Na verdade, muitos ciclistas relatam melhor função sexual do que aqueles que não pedalam, principalmente porque o ciclismo — ou qualquer exercício — pode melhorar a saúde cardiovascular. Pode ocorrer dormência ou formigamento temporário após um passeio longo ou intenso, mas isso geralmente desaparece rapidamente quando a pressão é aliviada.

Uma breve revisão sobre a disfunção erétil

As ereções dependem de vasos sanguíneos saudáveis, nervos funcionando adequadamente e hormônios equilibrados que atuam em conjunto com fatores psicológicos como estresse e excitação. Condições crônicas como diabetes, pressão alta, colesterol elevado e doenças cardíacas estão entre as causas mais comuns de disfunção erétil, pois reduzem o fluxo sanguíneo para o pênis. Fumar, o sedentarismo, a obesidade, o estresse e certos medicamentos também influenciam significativamente a qualidade das ereções.

A testosterona afeta a libido e a energia, mas raramente é a única causa da disfunção erétil. Esta costuma ser um problema que envolve o corpo todo, não algo relacionado ao ciclismo. E, como mencionado anteriormente, os benefícios cardiovasculares do ciclismo frequentemente melhoram a função erétil, em vez de prejudicá-la.

Por que os sintomas persistem ao pedalar?

Embora o ciclismo não cause danos permanentes, ele ainda pode provocar sensações temporárias nos ciclistas durante ou após um passeio. Essas sensações se devem à forma como o corpo interage com o selim: o tempo em que se permanece sentado, a postura e o estado dos músculos pélvicos para suportar a pressão nessa posição.

A forma de pedalar também é importante. Bicicletas ergométricas geralmente mantêm o ciclista em uma única posição por longos períodos, especialmente durante subidas com alta resistência, o que pode aumentar a pressão pélvica. Isso é diferente do ciclismo ao ar livre, que naturalmente redistribui o peso: pedala-se em pé, ajusta-se a postura durante subidas e descidas e há mais liberdade de movimento, o que permite que os músculos pélvicos descansem brevemente. As bicicletas elétricas oferecem assistência nos esforços mais intensos e podem limitar a inclinação para frente, mas ainda dependem de um ajuste adequado do selim e de uma postura correta.

Fatores como o formato do selim, a altura do guidão e o tempo contínuo sentado determinam a quantidade de pressão absorvida pela pelve. Ciclistas iniciantes tendem a notar essas sensações com mais frequência simplesmente porque seus corpos ainda não se adaptaram a longos períodos no selim.

Alguns homens podem perceber os sintomas pélvicos mais do que outros. Ciclistas com histórico de problemas lombares, rigidez no quadril, estresse crônico, ansiedade ou dor pélvica prévia costumam ter músculos do assoalho pélvico mais sensíveis. Homens com trabalhos de escritório, que permanecem sentados por muitas horas, também podem sentir a pressão do selim com mais intensidade quando começam a pedalar. Esses sintomas não significam que algum dano esteja ocorrendo, mas indicam que o corpo pode precisar de mais atenção quanto ao ajuste da bicicleta, à postura e ao aumento gradual da quilometragem.

Como proteger a saúde pélvica

A maioria dos desconfortos relacionados ao ciclismo melhora com ajustes, em vez da suspensão da atividade. Selins com abertura central ou design dividido reduzem a pressão nas áreas sensíveis, e pequenas mudanças na altura, na inclinação do selim ou na posição do guidão podem aliviar a pressão sobre o períneo.

Levantar-se brevemente a cada 10 ou 15 minutos, usar bermudas acolchoadas e aumentar a quilometragem gradualmente também pode ajudar.

Se os sintomas persistirem, a fisioterapia do assoalho pélvico é um dos tratamentos com maior respaldo científico disponível. O objetivo não é parar de pedalar, mas pedalar de uma forma que proporcione conforto, proteja os tecidos ao redor e permita que o corpo se adapte com segurança ao longo do tempo.

Quando procurar avaliação médica

Dormência persistente, desconforto que dura horas ou dias após pedalar, ereções dolorosas ou novas alterações urinárias devem ser avaliadas por um médico. Esses sintomas geralmente são tratáveis e não indicam uma lesão permanente.

Ajustes no equipamento, uma breve pausa ou terapia específica costumam resolver o problema.

Sintomas persistentes não devem ser ignorados, mas também não devem causar pânico. A maioria dos ciclistas melhora com mudanças simples.

Em resumo

Pedalar não danificou minha próstata nem afetou minha saúde sexual, mas as sensações que senti foram reais, e o medo é algo que escuto de outros homens todas as semanas. Entender como a pressão do selim interage com o assoalho pélvico e os nervos pode ajudar você a pedalar com mais conforto e a interpretar novas sensações sem imaginar o pior.

Olhando em retrospecto, provavelmente eu não precisava ter vendido minha bicicleta. O que eu precisava era de um selim melhor, alguns ajustes e lembrar de não entrar em pânico ao sentir algo diferente na pelve.

Sei que muitos homens reagem da mesma forma que eu: primeiro o medo, depois os fatos. Você não precisa fazer assim. Com a configuração adequada e um pouco de consciência, o ciclismo pode continuar fazendo parte da sua rotina sem colocar em risco sua próstata nem sua saúde sexual.

E isso não se aplica apenas ao ciclismo. Qualquer exercício novo envolve um período de adaptação, e é normal sentir desconfortos desconhecidos enquanto o corpo se ajusta. Um pouco de preparação, uma boa técnica e buscar ajuda quando necessário permitirão que você se mantenha ativo de forma segura.

*O Dr. Jamin Brahmbhatt é urologista e cirurgião robótico no Orlando Health e professor adjunto na Faculdade de Medicina da Universidade da Flórida Central.

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