Número de mortos nos protestos já passa de 400 com mais de 2.600 detidos, segundo grupo de direitos humanos Internacional, Irã, Manifestantes, Oriente Médio, Protestos CNN Brasil
Diversos iranianos que protestaram em Teerã, capital do Irã, nos últimos dias falaram com a CNN sobre o que presenciaram, descrevendo multidões enormes e sentimentos de esperança, bem como violência brutal e corpos empilhados em hospitais.
Uma mulher de cerca de 65 anos e um homem de 70 anos descreveram ter visto pessoas de todas as idades nas ruas da capital iraniana na quinta (8) e sexta-feira (9).
Na noite de sexta-feira, no entanto, as forças de segurança, brandindo fuzis militares, mataram “muitas pessoas”, afirmaram eles.
O número de mortos nas manifestações que acontecem no país há duas semanas subiu para 466, segundo informação do grupo iraniano de direitos humanos HRANA, sediado nos Estados Unidos, neste domingo (11). Mais de 2.600 pessoas foram detidas no país.
Outros manifestantes em um bairro diferente de Teerã disseram à CNN que ajudaram um homem de cerca de 65 anos que havia sido gravemente ferido na repressão. Ele tinha cerca de 40 projéteis alojados nas pernas e um braço quebrado, contaram eles.
Eles tentaram levar o homem para receber atendimento médico em vários hospitais diferentes, mas disseram que a situação era “completamente caótica”. Uma mulher descreveu ter visto “corpos amontoados uns sobre os outros” no hospital.
Outros disseram à CNN que o número de pessoas nas ruas era incomparável a qualquer coisa que já tivessem visto antes, descrevendo as cenas como “incrivelmente belas e esperançosas”.
Um discurso televisionado do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, na noite de sexta-feira (9), mudou essa atmosfera. Pouco depois, a repressão tornou-se incrivelmente violenta, disseram os manifestantes.
“Infelizmente, talvez tenhamos que aceitar a realidade de que este regime não sairá derrotado sem o uso de força externa”, disse um manifestante à CNN.

