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A confiança no governo avança no Brasil, mas por quê?

Última atualização: 15 de janeiro de 2026 16:19
Published 15 de janeiro de 2026
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O relatório da OCDE sobre os determinantes da confiança nas instituições públicas na América Latina e no Caribe, divulgado no mês passado, trouxe sinais claramente positivos para o Brasil. A confiança constitui um insumo crítico para a efetividade das políticas públicas e para a coesão social, e os dados mais recentes indicam que o país iniciou, entre 2023 e 2025, uma trajetória de diferenciação positiva em relação à média regional.

Esse desempenho é particularmente relevante porque a confiança não opera como um indicador abstrato de humor social, mas como uma expressão concreta da qualidade da relação entre Estado e sociedade e das condições políticas e institucionais que permitem ao governo entregar serviços públicos de forma consistente.

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No caso brasileiro, o avanço observado está associado ao maior compromisso com políticas públicas estruturantes, evidenciado pela reconstrução das capacidades estatais e por seus efeitos mensuráveis sobre os principais indicadores socioeconômicos do país.

Não é de hoje que a literatura aponta a confiança nas instituições como uma dimensão central da governança democrática e da efetividade do Estado. Desde os trabalhos clássicos sobre capital social de Robert Putnam[1], nos anos 1990, sabe-se que níveis mais elevados de confiança institucional estão vinculados a melhor desempenho governamental, maior cooperação social e coordenação coletiva.

Sociedades que acumulam confiança institucional tendem a gerar mais capital social, a responder melhor a choques e crises e a sustentar trajetórias mais robustas de crescimento econômico no longo prazo. O inverso também é verdadeiro: quando a confiança é baixa, mesmo políticas tecnicamente bem desenhadas enfrentam resistência social, descrédito ou captura por interesses particularistas.

Não basta, portanto, formular boas políticas públicas; é necessário construir instituições confiáveis, capazes de entregar resultados de forma perene, decidir com base em evidências, operar com transparência e sustentar elevados padrões de integridade e accountability. Em síntese, a confiança funciona como o elo invisível que conecta capacidade estatal, legitimidade democrática e impacto concreto das políticas públicas.

Os dados mais recentes da OCDE indicam um movimento interessante no Brasil: a confiança nas instituições do Estado voltou a crescer em um contexto internacional marcado por estagnação ou queda desse indicador.

Como ilustrado nas figuras a seguir, a parcela da população brasileira que declara confiança moderada ou alta no governo federal passou de 26% em 2022 para 38% em 2025, avanço expressivo que posiciona o país acima da média da América Latina e Caribe (35%) e relativamente próximo da média da OCDE (39%).

Tendência semelhante é observada na confiança no serviço público nacional, que avançou de cerca de 24% em 2022 para aproximadamente 41% em 2025, superando de forma clara a média regional (32%) e reduzindo significativamente a distância em relação ao patamar observado nos países da OCDE (cerca de 45%). Em conjunto, os dois indicadores sugerem uma recomposição da confiança institucional no Brasil, ancorada tanto na avaliação do governo quanto na percepção sobre a atuação cotidiana da burocracia pública.

Fonte: OCDE

A evolução recente da confiança no Brasil está menos ancorada na afinidades políticas e mais na percepção de capacidade estatal. O relatório da OCDE mostra que a confiança funciona como uma ponte entre Estado e sociedade e é fortemente moldada por experiências concretas: a qualidade dos serviços públicos, a percepção de justiça e integridade, a competência do governo de explicar decisões e de lidar com problemas complexos.

Trata-se, portanto, de uma confiança relacional — construída via políticas públicas, e não apenas no discurso. No caso brasileiro, a melhora acompanha avaliações mais positivas sobre a habilidade do governo de enfrentar desafios de longo prazo, como desigualdade, proteção social e questões intergeracionais, além de uma redução perceptível da insegurança econômica ligada a emprego, renda e proteção social.

Os avanços dos indicadores socioeconômicos e da confiança institucional no Brasil não são aleatórios, mas resulta de escolhas políticas adotadas desde 2023. A retomada do crescimento econômico foi combinado a uma melhora expressiva do mercado de trabalho, desemprego em mínima histórica e valorização real do salário-mínimo, ampliando a renda e o consumo das famílias.

Paralelamente, a reativação e expansão das políticas sociais — como o Bolsa Família, Pé-de-Meia e Minha Casa Minha Vida— produziram efeitos distributivos relevantes, reduzindo a pobreza, retirando o país do Mapa da Fome e contribuindo para a queda histórica da desigualdade, refletida no menor coeficiente de Gini já registrado[2].

A reativação do papel do Estado como indutor do desenvolvimento — por meio do novo PAC, da política industrial baseada em missões, do Plano de Transformação Ecológica e da ampliação do investimento público — sinaliza uma reconstrução da capacidade de governar e de pensar o longo prazo.

Em suma, a confiança no governo avança no Brasil porque o Estado voltou a entregar, proteger e coordenar em um contexto de constantes incertezas sociais e econômicas. Isso não elimina críticas — democracias consolidadas dependem de escrutínio contínuo —, mas sugere que políticas públicas com efeitos concretos, instituições funcionando e e redução de riscos percebidos contribuem para recompor a relação entre Estado e sociedade, com impactos observáveis na qualidade de vida das pessoas.

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O estudo da OCDE ressalta, contudo, a persistência de fragilidades típicas da América Latina, sobretudo, nas dimensões de prestação de contas, integridade e participação política, que ajudam a explicar por que o Brasil ainda não alcançou os patamares médios da OCDE.

O principal desafio, daqui em diante, será sustentar essa trajetória em um cenário de desaceleração do crescimento econômico, restrições fiscais e intensificação da polarização política em ano eleitoral — fatores que tendem a pressionar tanto a segurança econômica da população quanto o financiamento e a legitimidade das políticas públicas.


[1] Putnam, R. (1993), Making Democracy Work: Civic Traditions in Modern Italy, Princeton University Pres, Princeton, New Jersey.

[2] Ver Nota Técnica DISOC/IPEA: https://www.ipea.gov.br/portal/images/noticias/PDF/251125_nota_tecnica.pdf.

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