O analista sênior de internacional Américo Martins avaliou o encontro do presidente com líderes europeus no Rio de Janeiro para discutir o acordo comercial entre os blocos, que enfrentou resistências, mas avança após anos de negociações Internacional, -transcricao-de-videos-, Comércio exterior, economia, Europa, Governo Lula, Meio ambiente, Multilateralismo CNN Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca nesta sexta-feira (16) para o Rio de Janeiro, onde terá um encontro estratégico com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e com o presidente do Conselho Europeu, António Costa. Segundo o analista sênior de Internacional Américo Martins, no CNN Novo Dia, o foco da reunião será o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, negociado há mais de 25 anos.
Segundo o analista, o governo brasileiro pretende apresentar a assinatura do acordo como uma importante vitória do multilateralismo, especialmente em um cenário internacional marcado por disputas comerciais. “O governo brasileiro vai vender corretamente esse acordo com dois grandes focos. Em primeiro lugar, uma vitória do multilateralismo. Em um momento em que muitos países, especialmente os Estados Unidos, vêm atacando o sistema de livre comércio com tarifas contra quase todos os países. E uma vitória do presidente Lula e da diplomacia brasileira, pela dedicação e por conseguirem convencer a Comissão Europeia de que esse acordo era possível”, destacou.
O acordo entre dois dos maiores blocos econômicos do mundo ganha ainda mais relevância no contexto atual, onde medidas protecionistas têm sido adotadas por diversas nações. A diplomacia brasileira teve papel fundamental nas negociações, com o próprio Lula se envolvendo diretamente no processo para superar resistências, especialmente da França, que buscava proteger seus agricultores da competição com produtos sul-americanos.
Histórico de obstáculos
Vale lembrar que o acordo chegou a ser anunciado em 2019, mas o lado europeu bloqueou qualquer tentativa de assinatura na época, principalmente devido às políticas ambientais controversas do governo anterior no Brasil, período em que a devastação da Amazônia aumentou significativamente. As conversas foram retomadas com a volta de Lula à presidência, que priorizou a pauta em sua agenda internacional.
Quanto aos próximos passos, a expectativa é que o acordo tenha uma tramitação relativamente tranquila nos parlamentos dos países do Mercosul, impulsionada pelo interesse econômico e pelo contexto de disputas tarifárias com os Estados Unidos. “Não existe muito clima para você vetar um acordo de livre comércio quando o Brasil continua enfrentando tarifas muito altas, unilaterais, do governo americano”, aponta a análise.
No entanto, do lado europeu, podem surgir mais obstáculos. Embora o Parlamento Europeu deva aprovar o acordo por maioria simples, a implementação dependerá também de outros governos, o que pode gerar alguma resistência em determinados pontos. Mesmo assim, a assinatura representa um marco histórico nas relações comerciais entre os blocos e um importante avanço para o comércio internacional baseado em regras multilaterais.

