Segundo o secretário de Segurança Pública do Maranhão, é possível que as crianças tenham chegado sozinhas à “casa caída”, enquanto o primo de 8 anos, encontrado com vida, nega a participação de terceiros Maranhão CNN Brasil
Cães farejadores que participam das buscas pelas crianças Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidas há 13 dias em Bacabal, no interior do Maranhão, apontaram que os irmãos estiveram em uma casa abandonada na zona rural do município. A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA), com base no relato do primo das crianças, Anderson Kauã, de 8 anos, encontrado com vida no dia 7 de janeiro.
De acordo com o secretário de Segurança Pública, Maurício Martins, Anderson Kauã contou que foi com Ágatha e Allan até a chamada “casa caída”, localizada no povoado São Raimundo, e depois saiu sozinho em busca de ajuda, quando foi encontrado por trabalhadores rurais.
“O cão farejador ele determinou, ele identificou que as três crianças estiveram na casa caída, conforme havia dito Kauã. Inclusive, na chegada dele. O Kauã foi por um lado da casa e as outras duas crianças pelo outro. Até esse detalhe, os cães perceberam. E acrescento: não foi só um cão, foram quatro que fizeram esse trabalho”, disse.
Segundo o secretário, os cães farejadores também percorreram uma ribanceira próxima a um lago, mas não encontraram sinais recentes de presença de adultos ou vestígios de alimento. “O cão farejador trabalha com um cheiro determinado, então foi possível fazer o trabalho usando o cheiro das três crianças. Mas resquícios de alimento, água, passagens de adultos: nada, nada, nada”, afirmou.
A operação envolve mais de 500 pessoas, incluindo Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Militar, Centro Tático Aéreo (CTA), Perícia Oficial e Exército Brasileiro, além de voluntários. Mais de 60% de uma área de 54 km² já foi vistoriada, organizada em quadrantes para permitir um trabalho detalhado em meio à mata densa e trilhas irregulares.
Anderson Kauã segue internado no Hospital Geral de Bacabal, recebendo acompanhamento médico e psicológico, segundo a SSP-MA. Exames confirmaram que não houve violência sexual. A escuta especializada do menino é conduzida pelo Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA).
Em coletiva desta quinta-feira (15), o secretário reforçou que todas as linhas de investigação permanecem abertas e que o foco continua sendo localizar as crianças. “Não vamos descartar nenhuma linha de investigação, por mais absurda que seja. E também não vamos deixar de lado as buscas, nós vamos ampliar a área de busca. Nós vamos localizar essas crianças, custe o que custar”, esclarece o gestor.
O que sabemos sobre caso de irmãos que desapareceram no interior do MA
“É possível que tenham chegado lá sozinhas. Inclusive o Kauan nega a participação de terceiros nesta caminhada. As três crianças saíram do povoado e se perderam na mata. Esse é o ponto que inicial que nós estamos tratando”, disse o secretário Maurício Martins, reforçando que todas as linhas de investigação permanecem abertas.
As três crianças desapareceram após saírem para brincar, no dia 4 de janeiro, em uma área de mata próxima às residências da família, no território quilombola São Sebastião dos Pretos. Desde então, as buscas seguem de forma ininterrupta, sem que, até o momento, haja informações sobre o paradeiro de Ágatha e Allan.
A SSP informou que as buscas serão intensificadas, com ampliação da área de varredura, incursões subaquáticas, patrulhamento por terra, além do uso de drones e helicópteros, mantendo o apoio logístico da Prefeitura de Bacabal nas bases instaladas nos povoados São Sebastião dos Pretos e Santa Rosa.

