Telescópio espacial revela estruturas invisíveis que sustentam galáxias e aglomerados, com precisão inédita Ciência, -agencia-cnn-, Espaço, Estrelas, Hubble, James Webb, Matéria escura CNN Brasil
O Telescópio Espacial James Webb produziu o mapa mais detalhado já feito da distribuição de matéria — incluindo a matéria escura — no Universo.
O estudo foi publicado na revista científica Nature e mostra, com uma clareza sem precedentes, como a matéria invisível se organiza em grandes estruturas cósmicas.
A matéria escura representa cerca de 85% de toda a matéria existente, mas não emite nem reflete luz. Por isso, ela não pode ser observada diretamente.
Ainda assim, sua gravidade influencia o movimento das galáxias e a forma como a luz viaja pelo espaço.

Como o Webb “enxerga” algo invisível
Para mapear essa matéria invisível, os cientistas usaram um fenômeno chamado lente gravitacional fraca.
Na prática, grandes concentrações de massa funcionam como uma lente, distorcendo levemente a luz de galáxias muito distantes. Ao medir essas distorções, é possível calcular onde a matéria — inclusive a escura — está concentrada.

Com sua câmera de infravermelho, o James Webb conseguiu medir as formas de 129 galáxias por minuto de arco quadrado, quase o dobro do que era possível com o Telescópio Espacial Hubble. Isso permitiu criar um mapa muito mais preciso e com menos ruído.
“Teia cósmica”
O mapa cobre uma região do céu conhecida como campo Cosmos, uma das áreas mais estudadas da astronomia. Nele, os pesquisadores identificaram:
- Todos os 15 aglomerados de galáxias já conhecidos na região, algo que mapas anteriores não conseguiam fazer;
- Filamentos de matéria escura, estruturas alongadas que conectam os aglomerados e formam a chamada teia cósmica;
- Concentrações de massa sem luz visível, que não aparecem nem em raios-X, o que aparenta ser regiões dominadas quase exclusivamente por matéria escura.
Essas estruturas funcionam como uma espécie de “esqueleto invisível” do Universo, guiando a formação e a evolução das galáxias ao longo de bilhões de anos.
Além da resolução superior, o James Webb conseguiu mapear estruturas muito mais distantes no tempo, alcançando épocas em que o Universo passava pelo auge da formação de estrelas.
Telescópios anteriores, como o Hubble, tinham dificuldade em observar essas regiões com clareza.

Os cientistas também realizaram diversos testes para garantir que o mapa não era resultado de erros do instrumento ou do processamento dos dados. Segundo o estudo, os sinais detectados são reais e confiáveis.
O estudo foi liderado por Diana Scognamiglio (Jet Propulsion Laboratory/Caltech), que coordenou o projeto, a criação dos mapas de massa e a redação do artigo.

