Segundo o CEO, a alta da commodity no último ano provocou o pior resultado em dez anos Agro, cacau, Cacau Show, Chocolate, CNN Brasil Money CNN Brasil
A Cacau Show projeta uma recuperação este ano após enfrentar um ano difícil em 2025, marcado principalmente pela alta expressiva nas cotações do cacau no mercado internacional.
“Tivemos o pior resultado dos últimos dez anos em termos de lucratividade por conta do aumento absurdo do preço do cacau. Os custos de produção chegaram a ser seis vezes mais caros pela nossa principal matéria-prima”, afirmou à CNN Alexandre Costa, CEO da Cacau Show.
“2026 é um ano de recuperar a margem. A gente não deve voltar para a margem histórica, certamente não, porque, apesar de serem custos menores que no ano passado, ainda são mais elevados que na média histórica. No ano, temos a expectativa de crescer perto de 20%”, disse.
O cacau atingiu valores próximos de US$ 11 mil por tonelada no pico das cotações. Nesta quinta-feira (29), os contratos futuros com entrega para março fecharam a US$ 4.230 por tonelada na bolsa de Nova York.
Durante o período de alta dos preços, a empresa adotou medidas de redução de custos e de aumento de eficiência industrial, incluindo a aquisição de novos equipamentos e ações para elevar a produtividade. Segundo o CEO, essas iniciativas buscaram limitar o repasse de custos ao consumidor e aos franqueados. “Houve reajustes, mas em patamar inferior ao aumento dos custos de produção”.
Na Páscoa, principal data para o setor, a empresa prevê vender 10,5 mil toneladas de produtos, alta de 13% em relação a 2025, além de 25,5 milhões de ovos de chocolate, um crescimento de 12,8%. A projeção de faturamento para o período é de aumento de 13,6%, com um portfólio de 75 produtos, sendo 46 lançamentos.
Agro no centro da estratégia
“A gente está investindo comprando novas terras para plantar o cacau. Nosso objetivo estratégico é que a gente possa ser autossuficiente com matéria-prima nos próximos 5 a 7 anos”, afirmou o CEO.
Atualmente, a empresa possui três fazendas, que respondem por cerca de 5% da demanda total e são voltadas a produtos de nicho.
Segundo Costa, a expansão enfrenta desafios relacionados à disponibilidade de áreas adequadas. As regiões precisam contar com acesso à água, grandes superfícies planas, proximidade de mão de obra e condições favoráveis ao cultivo em pleno sol. A empresa avalia oportunidades em diferentes localidades, incluindo a Bahia, o norte do Espírito Santo e o Pará.

