Paulo Henrique Costa prestou depoimento à PF em 30 de dezembro; sigilo da oitiva foi derrubado nessa quinta-feira (29) Política, Banco Master de Investimento, Daniel Vorcaro, STF (Supremo Tribunal Federal) CNN Brasil
O ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, afirmou à PF (Polícia Federal) que a instituição comprava mensalmente carteiras de crédito do Banco Master, mas aprofundou a análise após identificar diferenças no padrão documental. Diante das dificuldades de acesso às informações, ele disse ter escalado as cobranças até o dono do banco, Daniel Vorcaro.
A declaração foi feita durante depoimento prestado no dia 30 de dezembro. O sigilo foi retirado nesta quinta-feira (29) por decisão do ministro Dias Toffoli.
No depoimento, Costa explicou que, à época, o BRB adquiria mensalmente carteiras do Banco Master, todas com cláusula contratual de recompra. Em dezembro, no entanto, foi comprada uma carteira que passou a gerar reclamações de clientes e questionamentos do Banco Central. No mês seguinte, o Master solicitou a recompra do ativo, aceita pelo BRB sem que soubesse se tratar de uma DPI (Declaração de Política de Investimento).
Segundo ele, apesar de a carteira apresentar inadimplência sob controle, juros compatíveis e alinhamento ao planejamento estratégico, a documentação indicava uma origem concentrada em apenas três meses, enquanto o BRB entendia que o ativo havia sido formado ao longo de cerca de dois anos.
Com o aumento das dificuldades de acesso às informações pelas áreas operacionais, Costa afirmou que intensificou as cobranças até Vorcaro. A partir de abril, o banco começou a receber contratos individuais de clientes em maior volume e, entre os dias 15 e 25 de maio, surgiu a participação da empresa Tirreno, indicando que parte dos contratos era originada por terceiros.
O ex-presidente ressaltou que, até o momento, não há clareza de que tenha havido fraude, mas sim uma alteração no padrão documental e no modelo de originação do crédito. Questionado sobre a existência de fraudes semelhantes envolvendo a emissão de CCBs, Costa afirmou não ter conhecimento de casos dessa magnitude no sistema bancário.
Por fim, explicou que, caso o BRB tivesse exercido a opção de venda da totalidade das carteiras, haveria risco de quebra em cadeia de instituições financeiras, uma vez que os recursos aparentavam existir contabilmente, mas não estavam efetivamente depositados no Banco Master. Segundo ele, a decisão de não exercer o direito imediato de recompra buscou evitar perdas relevantes e um colapso no ciclo de ativos.
Veja a íntegra do depoimento:

