Segundo análise de Teo Cury, ao Bastidores CNN, o presidente da Câmara evitará assuntos controversos em 2026, mas investigações do STF sobre emendas parlamentares podem mudar cenário político Eleições, -transcricao-de-videos-, Eleições 2026, emendas parlamentares, Flávio Dino, politica CNN Brasil
Em ano eleitoral, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, não deve colocar em pauta temas polêmicos que possam interferir no processo eleitoral de 2026. A análise é de Teo Cury, ao Bastidores CNN, que destacou a tendência de concentração das atividades legislativas no primeiro semestre.
Segundo Cury, a estratégia de Motta é evitar que assuntos controversos contaminem o debate eleitoral. Esta postura ficou evidente no final do ano passado, quando questões como a dosimetria e cassação de deputados foram adiadas. “A ideia era que esse assunto não contaminasse o debate eleitoral, a corrida eleitoral com assuntos polêmicos que pudessem, de alguma forma, apontar qualquer tipo de interferência nas eleições”, explicou.
Apesar da decisão de colocar “pautas anti-STF de lado”, o analista alerta que tudo dependerá do que acontecer no Supremo Tribunal Federal. Para 2026, a Corte tem uma agenda voltada principalmente para a pauta criminal, incluindo investigações sobre fraudes no INSS, Banco Master e, principalmente, desvios em emendas parlamentares.
“Emendas parlamentares, a depender do avanço dessas investigações, podem bater lá no Congresso Nacional e podem respingar e ter efeitos e desdobramentos em deputados e senadores – aí, o jogo pode mudar”, apontou Teo Cury.
Emendas parlamentares sob investigação
As investigações sobre desvio de emendas parlamentares ganham especial relevância em ano eleitoral. “Tem um peso muito maior por conta justamente de ser um ano eleitoral e de a grana ajudar a apoiar políticos próximos a esses parlamentares, quando não os próprios parlamentares que vão disputar as eleições desse ano, seja para continuar nos cargos em que estão, seja para alçar voos ainda maiores”, destacou Cury.
O avanço dessas investigações, sob relatoria do ministro Flávio Dino, pode respingar no Congresso Nacional. Caso isso ocorra, existe a possibilidade de que as pautas anti-STF, momentaneamente engavetadas, ressurjam como reação do Legislativo.
“Pode ser que essas pautas que estão sendo colocadas de lado, anti-STF, eventualmente ressuscitem em meio ao avanço de investigações sobre desvio de emendas parlamentares”, avaliou o analista.
Outro ponto destacado foi a concentração de atividades no primeiro semestre, tanto no Congresso Nacional quanto no Supremo Tribunal Federal. A estratégia visa evitar que decisões importantes sejam tomadas próximo ao período eleitoral, o que poderia gerar acusações de interferência nas eleições. Além disso, a agenda de feriados de 2026, concentrada no primeiro semestre, também influencia essa organização dos poderes.

