Instituições financeiras começam a divulgação de resultados do quarto trimestre de 2025 nesta quarta-feira (4) Negócios, Balanços financeiros, Banco do Brasil, Bancos, Bradesco, CNN Brasil Money, estilo-cnn-money, Ibovespa, Itaú Unibanco, Mercado Financeiro, Nubank, Santander, Temporada de balanços CNN Brasil
Os bancos brasileiros abrem a temporada de balanços do último trimestre de 2025 nesta quarta-feira (4), mas as atenções devem se voltar principalmente para as previsões para 2026. A divulgação de resultados das instituições financeiras começa por Santander (antes da abertura do mercado) e Itaú Unibanco (após o fechamento).
Na quinta-feira, após o fechamento do mercado, o Bradesco publica o seu balanço. Na semana seguinte, no dia 9 antes da abertura do mercado, é a vez do BTG Pactual apresentar o seu desempenho, enquanto o Banco do Brasil encerra a divulgação dos resultados dos bancos com ações no Ibovespa no próximo dia 11, no final do dia.
Ainda no calendário, o Inter mostra sua performance no próximo dia 10 e Nubank traz seus números no dia 25 de fevereiro.
A XP espera que os bancos apresentem uma combinação de resiliência e pressões contínuas em seus balanços. Os analistas da instituição preveem que, entre os bancos tradicionais, o Bradesco seja o destaques da temporada de resultados.
“O Bradesco deve reforçar sua recuperação gradual, demonstrando forte impulso comercial, risco de crédito controlado, desempenho saudável no segmento de seguros e melhoria na rentabilidade”, afirmaram Bernardo Guttmann e Matheus Guimarães, em relatório.
Ao contrario do Banco do Brasil, que, segundo a XP, deve apresentar mais um trimestre pressionado, com desaceleração nos empréstimos corporativos e para o agronegócio.
Malek Zein, analista da Suno Research, concorda que o destaque negativo deve ser o Banco do Brasil, mas que é algo esperado pelo mercado.
“O que tem que ficar de olho no balanço do Banco do Brasil é se a MP 1.314, que liberou R$ 12 bilhões para renegociação de dívidas rurais, vai melhorar os indicadores de saúde da carteira do banco no quarto trimestre. O Banco do Brasil deve receber grande parte desse montante, o que deve dar um bom fôlego para o banco, mas esperamos que seja algo singelo”, afirmou Zein.
A expectativa da Suno para a temporada de balanço dos principais bancos é um aumento da inadimplência no setor. Segundo a instituição, nos últimos trimestres já foi possível observar aumento na inadimplência dos bancos, com exceção do Itaú.
De acordo com os analistas do Safra, “não está claro como os bancos estão avaliando o ambiente atual”. Em relatório, o banco destacou que o consumo das famílias tem perdido força ultimamente e os consignados privados devem ser um importante motor para o crescimento do crédito ao consumidor.
Daniel Vaz e equipe observaram que, até o momento, números sobre inadimplência e o custo do risco, excluindo Banco do Brasil têm se comportado bem. “No entanto, para nós, a qualidade dos ativos é um ponto de atenção para 2026.”
Eles também apontaram que o ciclo de crédito mostrou resiliência em 2025, com a carteira crescendo acima de 10% ano a ano, mas que pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) indica uma expectativa de crescimento de cerca de 8% para 2026.
“Portanto, não esperamos que sejam publicadas guidances otimistas, mas sim mais conservadoras.”
Os analistas do UBS BB citaram em relatório que esperam boas tendências operacionais da maioria dos bancos sob sua cobertura para o final de 2025.
“Itaú e Bradesco tradicionalmente divulgam guidance para o ano durante a temporada de balanços do quarto trimestre, o que deve ser tão relevante quanto os próprios resultados”, dizia trecho do documento.
Para Thiago Batista e equipe, os balanços do trimestre devem mostrar margens com o mercado ainda pressionadas, em função da Selic ainda elevada. Mas não esperam que a qualidade dos ativos seja um problema, com a maior parte dos bancos reportando estabilidade na inadimplência na comparação trimestral.
Analistas do JPMorgan liderados por Yuri Fernandes também avaliam que o principal foco nesta divulgação de resultados estará no guidance para 2026, incluindo crescimento da carteira de crédito, qualidade dos ativos e evolução das despesas administrativas (G&A).
“Apesar da mensagem positiva para o quarto trimestre de 2025, a qualidade dos ativos segue como ponto de atenção para 2026, diante do endividamento ainda elevado das famílias e do nível elevado da taxa Selic média”, afirmaram em relatório.
“Ainda assim, vemos maior risco de inflexão do ciclo de crédito em 2027, e não em 2026, considerando os estímulos governamentais, cortes de impostos e o cenário de inflação relativamente baixa esperado para este ano.”
A evolução da folha de pagamentos privada, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a otimização da rede física, na visão do BTG Pactual, também devem pautar as discussões nos próximos dias com a divulgação dos balanços.
Estimativas compiladas pela LSEG apontam lucro líquido recorrente no quarto trimestre de R$ 12,263 bilhões para o Itaú, de R$ 6,464 bilhões para o Bradesco, de R$ 4,545 bilhões para o Banco do Brasil, de R$ 4,033 bilhões para Santander Brasil, de R$ 4,564 bilhões para o BTG Pactual, e de US$ 966,35 milhões para o Nubank. No caso da Inter&Co, as previsões sinalizam R$ 386,58 milhões.
*Com informações da Reuters

