Presidente do PT criticou escolha de Hugo Motta que definiu Guilher Derrite para relatar projeto sobre segurança pública na Câmara Notícias, Edinho Silva, Guilherme Derrite, Hugo Motta CNN Brasil
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, subiu o tom diante da crise que cerca a tramitação do Marco da Segurança Pública, que tem como base o PL Antifacção, de autoria do governo federal.
Edinho não economizou nas críticas à decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de indicar o secretário licenciado de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), para relatar o projeto na Casa.
Segundo o presidente do PT, a decisão fez cair por terra o esforço pela construção de um marco na segurança pública do país.
“Hugo Motta destruiu a possibilidade de o país ter uma proposta estruturada de segurança pública. Com o Derrite, jogou fora essa possibilidade”, disse à CNN.
“Derrite significa a partidarização de um tema que deveria unificar as lideranças políticas. Não se pode montar palanque sobre algo tão emergencial para a sociedade”, prosseguiu.
Nas redes sociais, Edinho disse que, apesar de ser próximo de Hugo, se soubesse com antecedência sobre a escolha de Derrite, teria pedido ao presidente da Câmara que revisse a indicação.
“A indicação de um secretário de Segurança Pública, vinculado diretamente ao polo mais radical dos governadores de oposição ao governo federal, um representante da ultra direita de inspiração fascista, para relator de um projeto de autoria do Presidente Lula, significa, primeiro, um desrespeito aos parlamentares da Casa”, escreveu Edinho.
“Não tinha nenhum deputado empossado em condições de relatar o projeto Antifacção? Tal decisão também representa a total partidarização, politização, de um tema que deveria ser tratado sem paixões”, acrescentou o presidente do PT.
Atribuições da PF
A insatisfação também foi manifestada por Edinho nas redes sociais, reverberando as críticas feitas por outros líderes governistas a respeito do relatório apresentado pelo deputado. Mesmo após Derrite fazer ajustes no texto, numa tentativa de conciliação liderada por Hugo Motta, o dirigente do PT manteve o tom crítico em relação ao substitutivo.
Na primeira versão do relatório, o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), que é secretário licenciado da Segurança Pública de São Paulo, acrescentou um dispositivo que limitava a atuação da PF em investigações.
Na noite de segunda-feira (10), porém, o deputado mudou seu parecer para ampliar a atuação da corporação nas investigações envolvendo organizações criminosas. As alterações foram feitas após críticas do Palácio do Planalto.
“As mudanças continuam limitando a atuação da PF, ataca a autonomia da instituição que mais tem condições de enfrentar o crime organizado. Ter que comunicar governos estaduais das suas investigações, limita a ação contra o crime e vai propiciar o vazamento de operações. Com esse relatório do Derrite, só crime organizado e corruptos ganham”, afirmou.

