Bryan Stern, fundador do grupo Grey Bull Rescue, aconselhou opositora a não voltar para Caracas: “Eu implorei” Internacional, EUA, Maria Corina Machado, Nicolás Maduro, Nobel da Paz, Venezuela CNN Brasil
O veterano das forças especiais dos EUA, cuja equipe de resgate tirou da Venezuela a ganhadora do Nobel da Paz María Corina Machado, implorou para ela não retornar ao país após uma perigosa missão de extração que durou quase 16 horas e foi realizada em grande parte no meio da noite em águas agitadas.
“Sem dúvida, esta é a operação mais difícil, de maior repercussão e mais delicada que já realizamos”, disse Bryan Stern, fundador da Grey Bull Rescue Foundation, à CNN na sexta-feira (12).
Stern afirmou em uma coletiva de imprensa virtual antes da entrevista que Machado havia embarcado em um barco que partiu da costa venezuelana rumo a um ponto de encontro no mar. Foi lá que ela encontrou Stern, que a aguardava em outra embarcação.
Ela alcançou e embarcou na segunda embarcação na noite de terça-feira e foi levada para um local diferente.
A viagem noturna no mar foi longa, fria e tensa, e tornou-se ainda mais desafiadora devido à sua notoriedade.
“Por causa do rosto dela, por ser característico, porque todo o serviço de inteligência venezuelano, todo o serviço de inteligência cubano, partes da inteligência russa, estavam procurando por ela durante meses, e especificamente esta semana, em particular, por causa do Prêmio Nobel, (isso) tornou esta operação significativamente mais arriscada do que jamais fizemos antes”, disse ele.
Ele disse à CNN que sua equipe realizou 800 operações e resgatou mais de 8 mil pessoas, mas que esta era “a primeira pessoa a ter uma página na Wikipédia”.
Stern havia dito anteriormente aos repórteres que o barco chegou à costa na manhã de quarta-feira (10). De lá, María Corina embarcou em um avião com destino à Noruega, onde deveria receber seu Prêmio Nobel da Paz e ver sua filha pela primeira vez em dois anos.
Segundo dados de rastreamento de voos verificados pela CNN, o avião que Machado usou para chegar a Oslo decolou na manhã de quarta-feira de Curaçao, uma ilha próxima à Venezuela, e fez escala em Bangor, Maine, antes de seguir para a Noruega.
A Embaixada dos Países Baixos em Caracas, responsável por representar os interesses de Aruba, Bonaire e Curaçao, negou qualquer envolvimento na fuga de Machado.
Machado chegou a Oslo poucas horas depois da cerimônia de entrega do Prêmio Nobel da Paz, que sua filha aceitou em seu nome. Ela foi recebida por multidões de apoiadores entusiasmados, para os quais acenou da sacada do Grand Hotel de Oslo, e mais tarde disse ter conhecido muitos venezuelanos esperançosos de um dia poderem retornar a um país libertado.
Essa foi a primeira aparição pública de Machado em quase um ano. Ela entrou na clandestinidade depois que o governo venezuelano reprimiu a dissidência após a controversa eleição do ano passado, reaparecendo brevemente apenas em um protesto em janeiro contra a posse do presidente Nicolás Maduro.
Na sexta-feira (12), a equipe de Machado se recusou a comentar sobre a operação de resgate e não confirmou à CNN se a equipe de resgate Grey Bull estava envolvida.
Machado havia declarado anteriormente à imprensa que recebeu apoio do governo dos EUA, mas se recusou a dar detalhes, dizendo: “Um dia poderei dizer a vocês, porque certamente não quero colocá-los em risco agora.”
Stern afirmou que a operação foi financiada por doadores anônimos e que, até onde ele sabia, não recebeu apoio do governo dos EUA.
Mas, em uma coletiva de imprensa virtual realizada na sexta-feira, ele reconheceu que sua equipe se comunicou com os militares americanos para informá-los sobre sua presença no mar. Ele afirmou que queria evitar ser alvo da operação americana em andamento contra supostos barcos de narcotráfico no Caribe.
“Nesse caso, como os militares dos EUA estão realizando operações nessa parte do mundo, eu estava preocupado – profundamente preocupado – em ser alvo dos militares dos EUA”, disse ele aos repórteres.
“Nossa comunicação foi feita de forma que o governo dos EUA e as forças armadas americanas soubessem que estávamos realizando alguma operação na região. Eles não conheciam os detalhes. Sabiam onde estaríamos operando, onde ficavam alguns de nossos pontos de encontro, e então, nos mais altos escalões e nos últimos minutos, revelamos qual era o objetivo”, acrescentou.
Questionado se sua equipe algum dia ajudaria Machado a retornar à Venezuela, Stern disse que a aconselhou a não fazê-lo.
“Quando estávamos juntos no barco, conversamos sobre isso, e eu implorei para que ela não voltasse”, disse ele à CNN.
“Ela é uma verdadeira heroína e um ícone para mim, e colocá-la de volta em perigo, onde ela pode ser presa, morta, torturada, quem sabe o quê? – eu realmente não gostaria de fazer isso, mas, como nós, ela é uma líder e quer estar lá por seu povo.”

