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O presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Ricardo Alban, afirmou nesta quarta-feira (15) que o diálogo entre Brasil e Estados Unidos deve avançar após as recentes conversas entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Segundo Alban, as negociações caminham para um entendimento sobre as tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros. “Trump tem um estilo próprio de agir e negociar, com embates e depois negociações. Tivemos ruídos políticos, mas o setor privado evitou potencializar essa discussão”, disse.
O dirigente ainda afirmou que a CNI manteve contato com o Departamento de Comércio americano, em coordenação com o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
“Mostramos alternativas nas áreas de energia renovável, data centers, minerais críticos e outros setores. Foi reconhecido que o Brasil também é um parceiro importante”, declarou.
Alban avaliou que o movimento dos Estados Unidos reflete a busca por proteção de suas cadeias produtivas. “Eles estão fazendo o que todos nós gostaríamos de fazer: proteger a economia e a indústria nacional. Às vezes há exageros, mas é natural que busquem seus interesses”, afirmou.
Ele destacou que a CNI defendeu desde o início que o governo brasileiro não adotasse medidas de retaliação. “Pedimos que não houvesse retaliação. Era preciso ter parcimônia para não perder a razão. Felizmente isso foi seguido, e há espaço para entendimento”, destacou.
O presidente da CNI também chamou atenção para a necessidade de fortalecer a política de defesa comercial e o projeto Brasil Soberano. “O mundo inteiro está revisitando suas políticas de comércio. Precisamos agir com equilíbrio para não enfraquecer nossas cadeias produtivas”, concluiu Alban.
Atuação da CNI
Como parte da estratégia para minimizar os efeitos do tarifaço sobre a indústria brasileira, a CNI fechou um acordo com a InvestSP para abrir novos mercados. Com a parceria, a entidade terá representantes em Dubai, Nova York, Munique e Xangai mapeando oportunidades comerciais.
Outra estratégia que vem sendo implementada pela CNI é o mapeamento e análise de todos os acordos comerciais que estão sendo firmados entre os EUA e outros países, de forma a identificar brechas que podem ser utilizadas como argumento na negociação brasileira.
Também como parte da estratégia, a CNI contratou um escritório especializado em lobby para ajudá-lo nas negociações contra o tarifaço dos Estados Unidos. No radar da entidade brasileira, está ainda o acompanhamento dos efeitos das medidas do Plano Brasil Soberano na indústria.
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