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Alemanha e Itália prometeram, nesta sexta-feira (23), coordenar esforços dentro da União Europeia para promover mudanças na regulamentação da indústria, um sinal de que os dois maiores fabricantes do bloco estão buscando um alinhamento mais estreito, à medida que os interesses divergem dos de outros membros, incluindo a França.
Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana, e Friedrich Merz, chanceler alemão, apresentaram um plano conjunto para impulsionar a simplificação regulatória, uma política industrial mais robusta e uma cooperação mais estreita em energia, defesa e migração.
Os dois governos afirmaram que a Europa precisa fortalecer a capacidade de agir em resposta à guerra da Rússia na Ucrânia e a desafios globais mais amplos, ao mesmo tempo em que impulsiona o crescimento e a resiliência da base industrial da UE.
Berlim e Roma veem a força industrial cada vez mais corroída pela China e desafiada pelas regulamentações da UE, principalmente o chamado Pacto Ecológico Europeu, que transformou o mercado automobilístico.
“Hoje, acredito que a Itália e a Alemanha estão mais próximas do que nunca”, declarou Meloni, em uma coletiva de imprensa ao lado de Merz, acrescentando que a transição ecológica da UE fortaleceu a China.
As recentes tensões transatlânticas envolvendo a Groenlândia também evidenciaram divergências políticas com a França, cujo presidente, Emmanuel Macron, defendeu esta semana uma linha dura contra Washington. A Alemanha e a Itália, os dois maiores exportadores da UE para os Estados Unidos, têm se mostrado mais cautelosas publicamente.
Embora o partido de Meloni tenha raízes na extrema-direita, Merz a vê como uma aliada pragmática que compartilha o foco na proteção da base industrial europeia, como, por exemplo, na gestão da pressão dos EUA sobre a Groenlândia sem escalada do conflito.
“Durante esta semana agitada, nós dois conversamos quase todos os dias sobre como lidar com a difícil questão envolvendo a Dinamarca e a Groenlândia”, compartilhou Merz.
No plano de ação de 19 páginas, Berlim e Roma defenderam a simplificação das regras dentro da UE, composta por 27 nações, e pediram à “autocontenção legislativa e regulatória” para ajudar a reduzir a burocracia.
Os dois países apoiaram uma integração mais profunda no mercado único, especialmente no setor de serviços, ao mesmo tempo que destacaram as prioridades industriais, incluindo os setores automotivo e de uso intensivo de energia.
A iniciativa para melhorar a cooperação sublinha a crescente preocupação nas capitais europeias de que a UE fique para trás em relação aos Estados Unidos e à China em tecnologia, indústria e segurança econômica, a menos que os Estados-membros ajam em conjunto.
Em relação às matérias-primas essenciais, comprometeram-se a trabalhar em conjunto para garantir as cadeias de abastecimento, procurando contrariar a crescente influência da China nos preços. De olho nos varejistas online chineses com preços baixos, apelaram para que a UE tome medidas para garantir uma concorrência leal.
Meloni e Merz afirmaram apoiar a rápida entrada em vigor do acordo comercial com o Mercosul – outra questão em que divergiram de Paris, que defende maior proteção para os agricultores.
Os dois países também assinaram um acordo de cooperação em defesa para aprofundar o trabalho conjunto em sistemas terrestres, aéreos, marítimos e de guerra eletrônica.
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