À CNN, a atriz avalia desfecho de Otília e Jânia e avalia sucesso da novela que chegou ao fim na quarta-feira (6) Entretenimento, #CNNPop, Atriz, Guerreiros do Sol CNN Brasil
Com 45 capítulos, “Guerreiros do Sol” chegou ao fim na quarta-feira (6), com a última leva de episódios disponibilizados no Globoplay. Entre os nomes em destaque na novela de George Moura e Sergio Goldenberg, estava Alice Carvalho, 29, na pele de Otília – uma mulher doce e leal, que mergulha em um romance considerado proibido na época com Jânia, vivida por Alinne Moraes, 42.
À CNN, a atriz conta que entre os principais pontos de conexão entre ela e sua personagem, está o ímpeto de seguir em frente, mesmo com medo. “Ele existe, ele é presente, e eu me acho uma pessoa muito medrosa, mas, ao mesmo tempo, tenho uma coragem. Isso foi algo que carreguei de mim para ela, acreditando em propósitos maiores, nos ideais. Ela é uma personagem muito idealista e, em algum lugar, eu me conecto com ela”.
“Eu trouxe muito da minha vivência e do meu desabrochar como artista para a trajetória de Otília, uma personagem que muda muito de fase e que a cada bloco está em um lugar diferente, sempre para frente e é algo que é um bastião para mim”, acrescenta.
Com grande repercussão nas redes sociais, a novela se consagrou como uma das principais apostas no campo da teledramaturgia nacional de 2025. Para Alice, o grande ouro do sucesso se justifica diante da ideia de seguir o propósito de reconstrução do imaginário.
“Não é mostrar a violência pela violência, o banditismo pelo banditismo, sem romantizá-lo, [mas] mostrar as coisas nuas e cruas como foram e mais ainda, deixar uma porta para um ‘e se’, trazendo especialmente para o arco dramatúrgico da minha personagem o ‘e se’ um romance proibido na década de 20, 30, tivesse acontecido por duas mulheres que tem muita coragem, que não negam seus desejos?”, comenta.
“Isso faz parte da reconstrução do imaginário atrelado a questão da representatividade e, além da dramaturgia, eu acredito que tem uma sensibilidade estética muito bonita impressa, e uma liberdade muito grande para contar as coisas sem filtro, mas com muita beleza”, acrescenta.

Fugimos dos velhos clichês destinados à tramas sáficas na TV brasileira
Alice Carvalho
Entre idas e vindas e os perigos típicos que rondavam o cangaço, o final feliz do casal “Jotília”, como ficou batizada a relação entre Jânia e Otília, foi amplamente celebrado pelos fãs nas redes sociais.
“Esse foi um projeto muito corajoso, feito com muito cuidado, justamente pensado em ser diferente das representações que a gente em visto de alguns anos para cá. Seguimos a mesma linha do que aconteceu na novela inteira. Reconstrução, imaginário e fugimos dos velhos clichês que são destinados há algumas décadas à tramas sáficas na TV brasileira”, celebra.

Alice também conta ter percebido uma identificação positiva e muito satisfatória do público ao ver a história tomando caminhos diferentes do que já está acostumado a conhecer quando se trata de relações homoafetivas.
“Foi uma torcida absoluta por um casal homoafetivo e isso é algo que preenche o meu coração. É um casal zero heteronormativo. A trama delas não girou em torno do próprio romance. Cada uma tinha o seu arco dramático, a sua história, e, no meio do caminho, elas se encontram e se desencontram como qualquer outro casal”, diz.
“Um impacto que tenho visto é ver a transformação de algo que era um ideal, nosso intuito com esse projeto e principalmente com a minha trama e da Alinne era isso, e ver essa coisa que era algo planejado, se transformando em ação, e essa ação impactando o publico ávido e carente por esse tipo de representação positiva”, adiciona.
Cumplicidade e parceria de Alice e Aline
Se diante das telas a cumplicidade de Otília e Jânia era potente, longe das câmeras a parceria amigável de Alice e Aline também é satisfatória. “Foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha carreira artística”, entrega.
“A gente se conheceu e gravou ‘Guerreiros do Sol’ em 2023, e foi paixão à primeira vista, sou muito apaixonada pelo trabalho dela, pela forma como ela conduz a vida e uma vida completamente costurada a escolha de ser artista todos os dias”, continua.
“Uma pessoa que faz escolhas artísticas admiráveis e que vive de uma maneira completamente sem vaidades, extremamente generosa, receptiva, amiga dos amigos, que me ensinou muita coisa quando cheguei no Rio de Janeiro em 2023 para fazer esse trabalho e não fui para mais embora”, conclui.
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