Analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta avalia que Donald Trump pode estar usando o possível uso de força militar como tática para obter concessões da Dinamarca sobre a ilha do Ártico Internacional, -transcricao-de-videos-, Donald Trump, Estados Unidos, Europa, Groenlândia, OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) CNN Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se recusou a dizer se usaria força militar para tomar a Groenlândia e reforçou a ameaça de taxar países europeus que se opõem ao plano da Casa Branca de anexação da ilha do Ártico.
De acordo com a analista de Política Internacional da CNN Fernanda Magnotta, esse cenário criaria uma situação inédita, pois desde a formação da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), liderada pelos EUA e pela Europa, o objetivo sempre foi de proteção mútua contra inimigos externos, não contra membros da própria aliança.
“O que basicamente esse grupo firmou é um pacto de defesa que, baseado no artigo 5º do tratado, assume que uma vez que algum desses membros sinta-se ameaçado ou sofra ameaça direta, então a obrigação, o compromisso coletivo é de sair em defesa daquele que de alguma forma está sendo prejudicado”, explicou Magnotta.
Segundo a especialista, se a Groenlândia, que faz parte do reino da Dinamarca, sofresse algum tipo de atentado à sua inviolabilidade territorial, em teoria, os europeus poderiam agir coletivamente contra o agressor, mesmo sendo os Estados Unidos. No entanto, isso criaria uma grande paralisia institucional, pois seria necessário calcular riscos e verificar o nível de compromisso e até a capacidade ofensiva dos europeus em relação aos americanos.
Estratégia de negociação
A analista avalia que é “bastante provável que o que esteja agora na mesa seja usar essa ameaça militar como uma espécie de estratégia de negociação para conseguir garantir algum outro formato de domínio sobre a Groenlândia“.
Ela destaca que Trump vê a ilha como peça fundamental não só para a defesa e segurança nacional, como também para a competitividade geopolítica e comercial, considerando rotas de navegação e o papel da China na região.
Magnotta lembra ainda que Trump, em seu discurso de posse, reverenciou o presidente McKinley, conhecido por usar a coerção econômica como estratégia diplomática e por ter sido responsável por uma das últimas grandes expansões territoriais dos Estados Unidos no final do século XIX. “Ele está seguindo uma cartilha na qual ele acredita”, concluiu a analista.

