Revelação de investigação sobre Mariângela Fialek aponta para fragilização da atual cúpula da Câmara e dificuldades para recondução de Hugo Motta. Avaliação é de Clarissa Oliveira Política, -transcricao-de-videos-, Câmara dos Deputados, Flávio Dino, Hugo Motta, Orçamento Secreto, Polícia Federal, politica CNN Brasil
A retirada do sigilo da operação da Polícia Federal contra Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira, pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, representa um novo capítulo de desgaste para a Câmara dos Deputados, segundo análise de Clarissa Oliveira, no Bastidores CNN.
O caso expõe uma fragilidade institucional. “Nesse caso específico, o desgaste para a cúpula atual da Câmara dos Deputados está impresso nessa discussão, nessa nova operação”, afirmou Clarissa, ao apontar que o caso se soma a uma série de turbulências enfrentadas pela atual gestão da Casa.
A operação contra a ex-assessora de Lira traz à tona novamente o tema do orçamento secreto, esquema que deveria ter sido solucionado após decisões anteriores do STF.
“O que essa operação traz à luz é que esse problema não foi resolvido. Esses mecanismos, os setores da Câmara dos Deputados que, sim, desviaram dinheiro por meio de emendas parlamentares, se aproveitaram da falta de transparência de uma série de mecanismos, se reinventou e encontrou formas de seguir atuando de maneira obscura no que se refere à destinação desses recursos”, afirmou Clarissa.
Crise de liderança na Câmara
O momento é particularmente delicado para a atual gestão da Câmara, liderada por Hugo Motta, apontado como apadrinhado político de Arthur Lira. Segundo a análise, já circulam nos bastidores do Congresso comentários sobre o enfraquecimento da atual cúpula. “Em alguns setores do Congresso, da Câmara em especial, eu já ouvia alguns parlamentares se referindo a Hugo Motta como futuro ex-presidente da Câmara, dizendo que não há o menor clima para que ele renove, seja reconduzido depois nesse mandato no comando da Casa”, revelou a analista.
A situação se agrava por uma sucessão de episódios controversos envolvendo a Câmara nos últimos meses, como a chamada “PEC da blindagem”, pautas consideradas obscuras, a votação do PL da dosimetria e a falta de coesão com o Senado. “Quando tudo isso acontece ao mesmo tempo, tem uma fragilidade, uma exposição de um dos Poderes da República”, avaliou Clarissa.
O caso de Mariângela Fialek ganha ainda mais relevância por sua proximidade com Arthur Lira, figura central na política da Câmara. “E quando a gente vê isso caracterizado na figura de uma servidora que foi braço direito, mesmo que não trabalhe mais diretamente para Arthur Lira, que por sua vez é o padrinho político do atual presidente da Câmara dos Deputados, isso gera um desgaste adicional interno”, disse a analista.

