Medida faria parte da recente mudança de posicionamento dos EUA quanto ao conflito no leste europeu Internacional, Drones, Kremlin, Rússia, Trump, Ucrânia CNN Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está considerando fornecer mísseis Tomahawk à Ucrânia, segundo o vice-presidente americano JD Vance.
“Estamos conversando neste exato momento sobre essa questão”, disse Vance ao Fox News Sunday, acrescentando que Trump fará uma “determinação final”.
O enviado de Trump à Ucrânia, Keith Kellogg, afirmou no mesmo dia que acreditava que a Ucrânia tinha autorização para realizar ataques profundos em território russo.
“Use a capacidade de atacar em profundidade”, disse ele. “Não existem santuários”.
Kellogg depois esclareceu que seus comentários se referiam apenas a declarações públicas de Vance e do Secretário de Estado americano Marco Rubio, e não a uma nova perspectiva do pensamento da Casa Branca.
Mas a equipe de Trump ou está seriamente considerando fornecer os mísseis Tomahawks – que por sua própria natureza são realmente apenas para ataques de longo alcance contra a Rússia.
Há cerca de 50 dias, o presidente russo Vladimir Putin caminhava sobre um tapete vermelho ao lado de Trump no Alasca.
Mas agora o Kremlin precisa responder à ideia de que o míssil de longo alcance mais eficaz dos EUA pode ser fornecido a um adversário que, apenas sete meses atrás, Trump dizia “não ter cartas na mão”.
Dias após Trump publicar no Truth Social que a Ucrânia poderia recuperar todo o território ocupado, esta é outra mudança de 180 graus na política, mas com projeções de longo alcance.
Como funciona o modelo Tomahawk?
Tendo ficado famoso inicialmente na Guerra do Golfo de 1991, o Tomahawk é reservado para os aliados mais próximos dos EUA – incluindo o Reino Unido e o Japão.
Seus quatro modelos variam até a versão mais recente, Block IV, que pode fornecer informações em tempo real sobre alvos, permitindo mudanças durante o voo.
Os EUA não forneceriam as armas diretamente, mas as venderiam para a Europa repassar a Kiev. Mas não há dúvida de que isso não aliviará as preocupações de Moscou de que a administração Trump está escalando massivamente e melhorando as capacidades da Ucrânia neste caso.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse pouco sobre o que chamou de “tópico sensível”. Ele sabe que a Ucrânia já usou drones de longo alcance para danificar as refinarias de petróleo da Rússia a ponto de chegar a escassez de combustível no país ser um fato estabelecido.
É evidente que Kiev já é capaz de atacar regiões profundas da Rússia, onde a guerra deveria ser algo distante pelo qual os pobres morriam lutando.
Os ucranianos demonstraram que a engenhosidade pode superar a força bruta e a tecnologia, com o uso de pequenos drones escondidos em contêineres para atacar aeródromos siberianos, como na Operação Teia de Aranha.
No entanto, os mísseis Tomahawk apresentariam um novo nível de desafio para as defesas aéreas russas. Prédios governamentais em Moscou e a grandiosa infraestrutura do Ministério da Defesa poderiam se tornar alvos expostos.
Será que o plano futuro é o que os estrategistas chamam de “ambiguidade estratégica”? Permitir que o crescente arsenal de mísseis de longo alcance da Ucrânia reivindique a responsabilidade pelos ataques com Tomahawk, ou vice-versa?
Os destroços dos mísseis provavelmente apontarão para o verdadeiro responsável. É improvável que o envolvimento dos EUA permaneça oculto, e Moscou será forçada a tentar responder na mesma moeda.
Possível rumo da nova escalada
Existem dois momentos no passado que talvez ajudem a prever o rumo desta nova ameaça de escalada. O primeiro é o último grande reforço de armamento para a Ucrânia vindo de Washington – a decisão da administração Biden de permitir que Kiev dispare mísseis do modelo ATACMs em território russo.
Putin respondeu disparando o novo míssil Oreshnik contra Dnipro, atingindo um depósito praticamente vazio.
O armamento soava aterrorizante – um IRBM aparentemente novo, com capacidade nuclear, disparado com múltiplas ogivas convencionais, que o Kremlin se gabava de poder atravessar as defesas europeias.
Especialistas ucranianos afirmaram que o dispositivo era uma variação do antigo modelo RS26, e me mostraram o que pareciam ser válvulas antigas em seus circuitos em uma instalação de armazenamento em Kiev.
Em resumo, não parecia ser um grande avanço técnico ou uma demonstração impressionante de força, mas sim uma leve demonstração de poder nuclear em resposta a uma inegável escalada dos EUA.
A evidente escassez de recursos russos, após três anos e meio de guerra, pode levar a uma resposta igualmente ineficaz ao eventual uso dos Tomahawk.
O segundo precedente é menos favorável à Ucrânia. A última vez que a administração Trump ameaçou uma escalada que teria superado seu antecessor foi ao considerar implementar sanções secundárias contra Índia e China por comprarem petróleo russo – em resposta a meses de diplomacia insincera por parte da Rússia.
Uma imposição tão ampla de tarifas teria sido uma medida mais agressiva do que qualquer uma contemplada por Joe Biden. De fato, tarifas de 50% já estão em vigor contra a Índia. Mas Trump exigiu que a Europa pare de comprar hidrocarbonetos russos para que ele vá além. Até agora, o presidente dos EUA tem se contido.
Este pode ser o destino do debate sobre os Tomahawk. Quando chegar o momento da “determinação final” de Trump, ele deve seguir sua predisposição habitual de suspender as medidas mais destrutivas e manter viva uma relação que parece perdurar até o ponto do enigma – sua amizade com Putin.

