Análise de Caio Junqueira durante o WW aponta que prolongar a discussão pode beneficiar politicamente o governo ao manter o foco no tema da democracia Política, -transcricao-de-videos-, 8 de Janeiro, Congresso Nacional, Luiz Inácio Lula da Silva (Lula), PL da dosimetria, Senado CNN Brasil
O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira (17) o Projeto de Lei da Dosimetria por 48 votos a 25, consolidando uma derrota significativa para o governo. No entanto, segundo análise de Caio Junqueira no WW, o prolongamento deste debate pode beneficiar estrategicamente o governo Lula.
Para o analista, “o que está acontecendo a partir de agora é o governo explorar politicamente esse assunto, mesmo na derrota”.
Ele revelou que o PT (Partido dos Trabalhadores) planeja lançar uma campanha “Veta Lula”, e que quatro partidos de esquerda já estão acionando o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, para derrubar o processo.
A estratégia de “esticar” o debate sobre a Dosimetria seria vantajosa para o governo por manter o foco em questões relacionadas à democracia e aos eventos do 8 de janeiro, em vez de direcionar a atenção pública para outros temas potencialmente desfavoráveis.
“Você vai debater democracia. Onde claramente, a gente sabe o que aconteceu no 8 de janeiro e na trama golpista. Isso move a militância, agita redes sociais, dá engajamento”, explicou Junqueira.
Placar reflete divisão ideológica no Congresso
O placar da votação no Senado, assim como o da Câmara anteriormente, reflete a divisão ideológica no Congresso Nacional.
“A esquerda é um terço e o restante, dois terços, é centro e direita. O placar dá 300 a 150 na Câmara e mais ou menos 50 a 25 no Senado”, observou o analista.
A aprovação do PL da Dosimetria também representa uma reação do Legislativo às decisões do Supremo Tribunal Federal, particularmente em relação às penas aplicadas aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Há um entendimento entre parlamentares e parte da sociedade de que algumas penas impostas foram excessivas, como os casos de pessoas condenadas a 17 anos de prisão.
O projeto agora segue para sanção presidencial, mas a expectativa é de que seja vetado por Lula. Caso isso ocorra, o debate político em torno do tema deve se estender ainda mais, alimentando a polarização e mantendo o assunto em evidência nas discussões públicas.

