Américo Martins, no CNN Novo Dia, vê um discurso mais moderado de Donald Trump, que ressalta aprovação unânime do Conselho de Segurança da ONU para seu projeto, enquanto críticos temem competição com a organização Internacional, -transcricao-de-videos-, Donald Trump, Estados Unidos, Faixa de Gaza, internacional, ONU, Palestina CNN Brasil
Donald Trump buscou a legitimidade da Organização das Nações Unidas para justificar a criação do Conselho de Paz, em um discurso notavelmente mais moderado do que suas manifestações anteriores. Apesar de criticar a entidade, o americano fez questão de ressaltar que o Conselho foi aprovado por unanimidade pelo Conselho de Segurança da ONU. Análise é de Américo Martins no CNN Novo Dia.
O analista de Internacional da CNN destacou que Trump fez um gesto conciliador ao afirmar que o conselho trabalhará com todos os líderes convidados, diversos governos e com a própria ONU. “Ao mesmo tempo em que ele tenta buscar a credibilidade da ONU para o Conselho, fazendo um aceno de que irá trabalhar com a Organização, não poupa críticas à entidade, dizendo que ela não conseguiu resolver muitos conflitos e que talvez o Conselho de Paz possa fazer isso”, explicou.
Tom mais conciliador em discurso estratégico
O discurso de Trump foi significativamente mais contido em comparação com sua fala do dia anterior. Segundo Martins, esta moderação provavelmente reflete a consciência do americano sobre as críticas ao Conselho de Paz, visto que muitos observadores acreditam que o projeto visa competir e, eventualmente, substituir a ONU.
É importante ressaltar que o mandato concedido pelo Conselho de Segurança ao Conselho de Paz é específico: tratar do conflito na faixa de Gaza, resolver o processo de transição, desarmar o Hamas, forçar a retirada dos soldados israelenses que ainda ocupam metade do território palestino, reconstruir o território palestino e criar condições para um futuro Estado palestino. Além disso, o Conselho tem autorização para operar apenas até 2027.
Apesar do tom mais moderado, Trump não escondeu sua intenção de que o Conselho se envolva em outros conflitos pelo mundo, algo para o qual não possui mandato oficial. Entre os presentes no evento estavam líderes que participaram de negociações diplomáticas anteriores com Trump, como o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, e os primeiros-ministros da Hungria e Itália, Viktor Orbán e Giorgia Meloni, respectivamente.
Américo Martins ressaltou que o discurso conciliador reflete uma estratégia cautelosa: “Foi um discurso em que o presidente Donald Trump pareceu ciente dessas críticas e resolveu, não de uma forma muito característica dele, ser mais conciliador e ter mais calma nesse processo”. Ainda segundo o analista, muitos países, incluindo Brasil, China e Rússia, aguardam maiores esclarecimentos sobre como os Estados Unidos pretendem conduzir o Conselho antes de decidirem sobre sua participação.

