De acordo com análise de Lourival Sant’Anna, ao CNN 360°, a retirada das sanções contra Alexandre de Moraes faz parte de uma mudança de postura já decidida anteriormente pelo presidente americano Internacional, -transcricao-de-videos-, Alexandre de Moraes, Donald Trump, Estados Unidos, Fake News, internacional, politica CNN Brasil
A retirada das sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes por parte dos Estados Unidos reflete uma correção estratégica que Donald Trump já vinha planejando em relação ao Brasil. A avaliação é de Lourival Sant’Anna, ao CNN 360º.
Segundo Sant’Anna, Trump está “pinçando fatos e até reinterpretando fatos” para ajustar sua postura em relação ao governo brasileiro. “Isso eu venho dizendo há meses, desde o início de novembro, quando houve a derrota dos democratas em vários estados, dos republicanos, em vários estados americanos […] o Trump teve de corrigir sua estratégia em relação ao Brasil”, explicou o analista.
O especialista destacou que a mudança de posicionamento de Trump começou a ser desenhada ainda em setembro, quando ele percebeu que a situação de Jair Bolsonaro era “irreversível”, por isso, fez aquele gesto na Assembleia Geral da ONU em setembro. “O presidente americano observa muito os momentos para aproveitar cada situação para explicar mudanças que ele já havia decidido”, afirmou.
“Não é como se a decisão do congresso fez com que ele decidisse retirar a aplicação da Lei Magnitsky sobre o casal Moraes, Trump já tinha decidido isso, mas, seria bom ter algum pretexto, algum fato, em que ele pudesse enganchar”, explica Sant’Anna sobre a conexão entre esse caso e a decisão da dosimetria.
Questão das big techs permanece como ponto de tensão
Lourival Sant’Anna também abordou a questão das big techs como um ponto de atrito que permanece entre Brasil e Estados Unidos. “Essa é uma questão não resolvida dos Estados Unidos com o Brasil, e com a União Europeia. Ambos adotaram um imposto de 15% sobre as Big Techs porque elas não pagam impostos nos Estados Unidos”, explicou.
Além da tributação, o analista mencionou que a moderação de conteúdo nas redes sociais é outro tema sensível. “Existe também, tanto aqui quanto na União Europeia, a questão da moderação das redes sociais, dessa intervenção nos conteúdos quando eles são considerados criminosos ou porque são calúnias, difamações, ou porque incitam ao crime, ao ódio – isso é algo contra o qual Trump se coloca”, destacou.
Para Sant’Anna, esse tema “vai continuar sendo um irritante na relação entre Trump e Lula”, mas o presidente americano está “deixando isso para um próximo round”. Segundo o analista, Trump quis primeiro “limpar a agenda daquilo que estava contrário à nova estratégia dele, e a lei Magnitsky é um claro exemplo disso“.

