Diretor do BC indicou que rombo do BRB com compra de carteiras do Master pode chegar a R$ 5 bilhões Macroeconomia, Bancos, Cenário fiscal, CNN Brasil Money, Governo do Distrito Federal CNN Brasil
A possibilidade de o governo do DF (Distrito Federal) fazer um aporte no BRB (Banco Regional de Brasília) para cobrir perdas com a compra de carteiras de crédito fraudulentas do Banco Master é dificultada, segundo analistas, pela situação delicada dos cofres comandados pelo governador Ibaneis Rocha.
Em uma oitiva no final do ano passado, o diretor de Fiscalização do BC (Banco Central), Ailton de Aquino, afirmou em depoimento à PF (Polícia Federal) que as perdas do BRB devido à compra do Master podem chegar a R$ 5 bilhões. O GDF admite que uma das possibilidades para cobrir o rombo é um aporte direto.
Nos últimos anos, o GDF viu sua arrecadação ser impulsionada pelo fortalecimento do FCDF (Fundo Constitucional do Distrito Federal).
Com o fim do teto de gastos, o mecanismo — que representa quase 40% das receitas do DF — voltou a ser corrigido pela receita da União e ganhou força.
Mesmo assim, a situação fiscal da unidade federativa continuou se deteriorando, visto o crescimento das despesas públicas.
Nos últimos anos, o GDF apresentou déficits e tem Capag (Capacidade de Pagamento), métrica do Tesouro Nacional para medir a saúde fiscal de estados, de nota C.
“O DF teve um crescimento muito acelerado das despesas. Assim, teve déficits primários e deterioração das contas. Apesar da ajuda do Fundo Constitucional, o DF tem feito uma gestão fiscal bastante problemática. Quando a gente olha a capacidade de pagamento apurada pelo Tesouro, o DF está na fotografia ruim”, disse Murilo Viana, especialista em contas públicas.
Soma-se a este cenário, segundo o especialista, a possibilidade de o Iprev-DF (Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal) precisar de um aporte do DF.
“Para este ano já há a expectativa de ser necessário um suporte expressivo”, disse.
Por este motivo, o GDF vem ventilando a possibilidade de optar por uma mescla de ações para ajudar o BRB — visto que um aporte precisaria estar acompanhada de um aperto fiscal no ano eleitoral.
Outra possibilidade é compor um fundo com imóveis do DF, que poderiam ser transferidos ao banco ou servir de garantia para uma operação junto ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
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