Economista-chefe chama atenção para risco fiscal com eleição, mas pondera que reajuste em 2027 pode levar a melhora do cenário Macroeconomia, ata do copom, Banco Inter, CNN Brasil Money, Copom, estilo-cnn-money, Juros, Selic CNN Brasil
Não só no comunicado de sua última decisão de política monetária, mas também na ata da reunião, o Banco Central manteve um tom de cautela sobre a perspectiva da inflação e dos juros no país.
A abordagem mais rígida levou o Inter a adiar sua perspectiva de corte na taxa Selic de dezembro deste ano para janeiro de 2026.
“Com o Copom [Comitê de Política Monetária] mais cauteloso, revisamos nossa expectativa de início de cortes na Selic […]. Na ata da última decisão, o Copom manteve o tom mais duro e reforçou a expectativa de manutenção do atual patamar de 15% por mais tempo, o que afasta a possibilidade de corte em dezembro”, escreveu em relatório a economista-chefe Rafaela Vitória.
“Apesar de ainda vermos espaço para esse movimento, quando consideramos os sinais de queda da inflação e continuidade da valorização do real, não deve haver tempo hábil para mudança na comunicação para início da flexibilização ainda esse ano.”
Em sua última reunião, o Comitê de Política Monetária manteve a Selic em 15% ao ano e não deu abertura para um possível corte de juros.
Outro ponto notado na comunicação do colegiado é que, apesar de componentes acompanhados pelo BC sinalizarem uma melhora marginal no cenário de inflação, o Copom não revisou suas estimativas para a alta dos preços no horionte relevante.
“O processo de desinflação deve seguir com a desaceleração da atividade, mais notadamente nos setores ligados a crédito, e esperamos que o corte na Selic possa se iniciar em janeiro de 2026. Mantemos a expectativa de um orçamento de redução de 300 p.b. terminando 2026 em 12%, um patamar ainda restritivo dada a projeção de inflação de 3,6% em 2027”, pontua o relatório.
Vitória ainda destaca o risco fiscal esperado no próximo ano, por conta das eleições. O pleito pode, contudo, significar uma melhora no futuro a depender das provisões tomadas após a posse.
“Uma reaceleração da inflação poderia ocorrer caso novos estímulos mantenham a demanda aquecida, impedindo um ciclo maior de cortes. Por outro lado, uma definição da eleição seguida de anúncio de nova revisão das regras fiscais poderia contribuir para uma reancoragem mais célere das expectativas de inflação, permitindo redução dos juros para abaixo da estimativa de 12%”, conclui.

