Estado já recebeu lote de 90 ampolas de etanol farmacêutico enviadas pelo Ministério da Saúde Bahia, bebida alcoólica, Falsificação, Metanol CNN Brasil
Os dois casos suspeitos de intoxicação por metanol que estavam sendo investigados na Bahia foram descartados, neste domingo (5), pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesab). A confirmação veio após exames laboratoriais e análises feitas por diferentes órgãos, em reunião coordenada pela secretária estadual de Saúde, Roberta Santana, na sede da Sesab, em Salvador (BA).
O primeiro caso, que envolvia a morte de homem de 56 anos, na cidade de Feira de Santana, foi descartado após o laudo do Departamento de Polícia Técnica (DPT) apontar resultado negativo para a presença de metanol.
Já o segundo, em Salvador (BA), tratava-se de uma jovem de 23 anos atendida em uma UPA. A paciente apresentou melhora clínica e exames afastaram a possibilidade de intoxicação — além disso, foi confirmada a procedência regular da bebida consumida.
O governo informou que ainda assim foi mantido o alerta. A Sesab instalou uma “sala de situação” para monitorar possíveis novos casos e garantir a integração entre setores da saúde, segurança pública e Ministério da Agricultura. A medida, segundo Roberta Santana, atende a um pedido do governador Jerônimo Rodrigues.
“Estamos atuando em três frentes: investigação e monitoramento dos casos, atendimento clínico rápido e fiscalização dos estabelecimentos”, afirmou a secretária.
A reunião contou com representantes ainda se outros órgãos, com o objetivo de alinhar os protocolos já em vigor e reforçar as ações preventivas.
Estoque de antídoto reforçado
No sábado (4), a Bahia recebeu um lote de 90 ampolas de etanol farmacêutico enviadas pelo Ministério da Saúde. O produto é usado como antídoto em casos confirmados de intoxicação por metanol, substância muitas vezes usada ilegalmente na adulteração de bebidas alcoólicas. Como o tratamento pode exigir até 30 ampolas por paciente, o envio representa um reforço estratégico para o estado.
De acordo com indicações também de protocolos divulgados pelo Ministério da Saúde, em casos suspeitos, os profissionais coletam exames específicos, acionam o Ciatox-BA (Centro de Assistência Toxicológica da Bahia) e é iniciado imediatamente o tratamento com antídotos, como o etanol farmacêutico ou fomepizol. Em casos graves, pode haver indicação de hemodiálise.
O protocolo determina ainda suporte clínico intensivo, acompanhamento neurológico e oftalmológico e integração entre hospitais e a Central Estadual de Regulação (CER). A orientação vale para todas as redes de saúde — pública, privada, municipal e filantrópica.
Vigilância reforçada e fiscalização
Na área da fiscalização, o Procon-BA intensificou operações para coibir a venda de bebidas adulteradas. O secretário de Justiça e Direitos Humanos, Felipe Freitas, afirmou que o órgão tem atuado com o apoio do Ministério Público e entidades do setor para orientar comerciantes e consumidores. Ele também destacou a importância das denúncias feitas pela população.
Já o superintendente do Ministério da Agricultura na Bahia, Fábio Rodrigues, alertou sobre a necessidade de registro para produtores de bebidas artesanais. “Produzir artesanalmente não significa vender sem autorização. O registro no MAPA é obrigatório para garantir a segurança do que é consumido”, afirmou.

