Expectativas são de manutenção das taxas na superquarta Macroeconomia CNN Brasil
O Banco Central do Brasil e o Federal Reserve iniciam nesta terça-feira (27) suas respectivas reuniões de decisão de juros. Para ambos os cenários, as expectativas do mercado são de manutenção das taxas na chamada superquarta.
No Brasil, a taxa Selic – que mede os juros básicos do país – está estacionada em 15% ao ano desde junho de 2025. Já nos Estados Unidos, a autoridade monetária trabalha com juros na banda de 3,5% a 3,75% após corte em dezembro.
O Sistema Expectativas de Mercado, apurado semanalmente pelo BC, mostra que a mediana dos agentes econômicos aposta em manutenção dos juros de 15% nesta quarta-feira (28). Nos EUA, a ferramenta CME Fedwatch mostra que 96,1% dos agentes econômicos precificam juros mantidos, contra 3,9% que ainda esperam por corte.
Cenário no Brasil
A expectativa de mais uma manutenção do BC é respaldada pelas indicações do presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, da dependência dos dados para a tomada de decisões.
Números recentes do mercado de trabalho mostram que o desemprego segue nas mínimas históricas, indicando uma economia ainda aquecida.
Por outro lado, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) segue gradualmente para o centro da meta, enquanto o dólar mantém sinais de arrefecimento no mercado doméstico.
Em nota, analistas do Santander reforçam que o cenário desde início de 2026 está bastante semelhante ao de dezembro, quando o Copom realizou a última reunião de 2025 e optou por deixar os juros em 15% pela quarta decisão seguida.
Com esses sinais ainda apontando caminhos diferentes, é esperado que o BC siga na toada de manutenção da Selic nesta semana.
Cenário dos EUA
Já a reunião do Fed deve ser ofuscada por uma investigação criminal do governo do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre o chair do banco central norte-americano, Jerome Powell, pelo esforço em andamento para demitir Lisa Cook do cargo de diretora e pela próxima nomeação de um sucessor para assumir o lugar de Powell em maio.
Com tanta coisa em movimento – e a independência do Fed em jogo – o debate sobre política monetária parece quase secundário, embora os analistas, neste momento, esperem que as proteções institucionais ao banco central se mantenham.
Por enquanto, as expectativas de inflação baseadas no mercado e os rendimentos dos títulos de longo prazo dos EUA não demonstram nenhum temor generalizado em relação ao futuro do Fed.
“Não é possível considerar as ações do próximo presidente do Fed como algo separado do ambiente econômico ou da capacidade de influenciar outros participantes do FOMC [o Copom norte-americano]”, declarou Tim Duy, economista-chefe para os EUA da SGH Macro Advisors.
*Com informações de Reuters
Após Fed e Copom, Brasil segue com 2º maior juro real do mundo

