Cripto volta ao patamar de US$ 93 mil, próximo ao observado no fim de 2024, após máxima acima de US$ 126 mil em outubro Mercado, Bitcoin, Criptomoeda, Inteligência Artificial, Nasdaq CNN Brasil
O bitcoin praticamente apagou os ganhos de 2025, com a cotação ao redor de US$ 93 mil nesta segunda-fera (17), refletindo liquidez e o temor dos investidores com o mercado de tecnologia como um todo.
Até esta segunda-feira, a principal cripto do mercado quase zerou os ganhos de 36% entre o fim de 2024, quando estava avaliada ao redor de US$ 92,3 mil, até o recorde acima de US$ 126 mil, alcançado em outubro.
Desde a máxima histórica, o BTC perdeu 26%. Já no saldo anual, a alta foi reduzida para menos de 1%.
A queda do bitcoin nos últimos dias reflete a fuga dos investidores do mercado de tecnologia em meio ao temor de formação de bolha no segmento de inteligência artificial.
O receio se expande para esse início de semana, com queda acima de 0,5% da Nasdaq, com atenções na divulgação do balanço do terceiro trimestre da Nvidia, companhia fundamental para o setor de IA.
Além da supervalorização das empresas, o setor de tecnologia é pressionado pelo esvaziamento das expectativas de afrouxamento dos juros nos EUA, explica Krzysztof Kamiński, analista do grupo Oanda.
“Após declarações recentes de postura mais agressiva de membros do Fed, as esperanças de um corte na taxa de juros em dezembro diminuíram significativamente”, disse em relatório publicado na última sexta-feira (14).
Atualmente, os operadores veem uma chance de mais de 56% de que o Fed (Federal Reserve) mantenha sua taxa estável em dezembro, em comparação com a chance de quase 94% de um corte de 25 pontos-base observada há um mês, de acordo com a CME FedWatch Tool.
A combinação de menor liquidez esperada (por conta da incerteza sobre o Fed) e risco tecnológico elevado pesa sobre criptoativos. No entanto, não há ainda um choque claro que leve a correção profunda imediato”, explica o analista André Franco.
Liquidez
Segundo Yoandris Rives Rodríguez, gerente regional para América Latina na B2BINPAY, a virada do criptoativo varreu a liquidez do bitcoin em um desequilíbrio semanal e completou ajuste ideal da tendência de abril a outubro.
Para ele, no Brasil, a regulamentação e a política macroeconômica definiram o tom da semana.
O Banco Central divulgou as regras para a negociação de ativos virtuais. Com a mudança, PSAVs (Empresas Prestação de Serviços de Ativos Virtuais) precisarão de autorização do Banco Central e estarão sujeitas à fiscalização da autoridade monetária.
As PSAVs terão de informar riscos, políticas de segurança e taxas de forma clara, além de avaliar o perfil de risco de cada cliente antes de permitir operações com ativos virtuais mais complexas. Além disso, as prestadoras devem ter mecanismos para identificar e evitar práticas fraudulentas, como manipulação de preços e uso de informações privilegiadas.
Ainda segundo o especialista, o BTC encontra-se agora próximo de uma zona-chave de inflexão.
“Embora o nível de Fibonacci de 0,618, em US$ 90.000, permaneça como a extensão mais baixa, a quantidade de liquidez já removida torna igualmente plausível uma reversão a partir dos níveis atuais”, disse.
*Com informações da Reuters
Moody’s: mudanças no clima podem cortar 20% do PIB do Brasil até 2050

