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Brasil vê espaço, mas teme excesso global de soja com aproximação China-EUA 

Última atualização: 11 de novembro de 2025 15:01
Published 11 de novembro de 2025
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Leitura é de que novo entendimento bilateral pode mudar equilíbrio global da oferta e pressionar preços internacionais num momento em que mercado já opera com excedente  Macroeconomia, CNN Brasil Money, exportações brasileiras, guerra comercial EUA China, Soja CNN Brasil

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Integrantes do governo brasileiro avaliam que a reaproximação comercial entre Pequim e Washington não altera, por ora, o espaço do Brasil no mercado chinês de soja, mas acende um alerta para 2026.

A leitura é de que o novo entendimento bilateral pode mudar o equilíbrio global da oferta e pressionar os preços internacionais num momento em que o mercado já opera com excedente.

Pelos números mais recentes, o Brasil exportou 21,2 milhões de toneladas de soja para a China entre maio e outubro, o que representa alta de 37,5% em relação ao mesmo período de 2024.

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O país segue como principal fornecedor do grão para o mercado chinês, com embarques concentrados nos portos de Santos e Paranaguá, e sustenta vantagem de preço e qualidade diante dos Estados Unidos.

O entendimento entre China e EUA, ocorrido após o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping em outubro na a Coreia do azul, prevê compras graduais de até 25 milhões de toneladas anuais de soja americana, e é visto pelo Itamaraty como um gesto político, mas ainda sem execução imediata.

As tarifas sobre o produto dos Estados Unidos permanecem, e as compras anunciadas de 12 milhões de toneladas até o fim do ano são tratadas como sinal de distensão diplomática, não de reabertura plena do mercado.

Para os negociadores brasileiros, o principal risco está no excesso mundial de soja e não em uma substituição direta.

A avaliação é de que a oferta global “está acima da demanda” e o aumento de processamento nos EUA, impulsionado por políticas estaduais de biocombustíveis, e a reaproximação com Pequim, pode gerar pressão de preços e redução de margens brasileiras.

Apesar das incertezas, o Brasil mantém vantagem competitiva por três fatores: o custo de produção em larga escala, a qualidade superior do grão, com teores mais altos de óleo e proteína, e o calendário complementar em relação à safra americana.

A estrutura de compra das esmagadoras chinesas também favorece o Brasil, com contratos escalonados que dividem as aquisições em duas etapas: uma no início e outra no segundo semestre, o que evita gargalos logísticos.

O Itamaraty avalia que Pequim segue cautelosa com Washington e tende a preservar o equilíbrio político com o Brasil, que se consolidou como fornecedor confiável durante os meses de tensão comercial.

A soja brasileira segue fundamental para a cadeia de ração e proteína animal chinesa, enquanto o país asiático busca diversificar fornecedores sem abrir mão de previsibilidade logística.

Nos bastidores, diplomatas brasileiros reforçam que o desafio doméstico é transformar grão em produto, especialmente em combustível.

A recomendação é avançar na industrialização, com maior processamento de farelo, óleo e biodiesel, para amortecer o impacto do excesso global e manter a rentabilidade do setor.

A avaliação interna é de que o foco agora não é produzir mais, mas agregar valor e garantir estabilidade em um cenário de competição crescente entre as duas maiores economias do mundo.

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