Reci Clayton, responsável pela arte, pede para que “obra efêmera transforme dor em memória”; grupo de adolescentes é suspeito de torturar e matar animal Santa Catarina, -agencia-cnn-, Florianópolis, Maus tratos, Praia CNN Brasil
O cão “Orelha”, torturado e morto na Praia Brava, em Florianópolis (SC), recebeu uma homenagem do artista Reci Clayton, que fez uma arte de mais de 40 metros com a imagem do cachorro na areia da Praia da Galheta. A obra foi realizada na manhã de quarta-feira (28).
Imagens publicadas nas redes sociais mostram a homenagem. Na publicação, Clayton diz que a “arte nasce como homenagem a um ser puro, livre e querido por muitas pessoas que caminham pela praia.” Veja resultado abaixo:
Além disso, ele deixou um recado para os seguidores sobre o caso Orelha.
Sua partida, marcada pela violência, nos convoca a refletir sobre o cuidado, o respeito e a responsabilidade que temos com todas as formas de vida. Que esta obra efêmera transforme dor em memória, e memória em consciência.
Reci Clayton, artista visual
Em contato com a CNN Brasil, o artista visual contou que já realiza esse tipo de arte na areia há 13 anos. Ele alegou que sempre teve vontade em fazer trabalhos de realismo e que a obra do cachorro foi a primeira da vertente artística.
Clayton ainda disse que levou cerca de 2h30 para produzir o projeto.
Entenda o caso
A Polícia Civil de Santa Catarina investiga a responsabilidade de um grupo de quatro adolescentes em uma série de atos infracionais cometidos na Praia Brava, em Florianópolis. O caso ganhou repercussão nacional após as agressões que levaram à morte do cão “Orelha”, um animal comunitário cuidado por moradores há cerca de dez anos.
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1 de 5Cão era cuidado pela comunidade havia cerca de dez anos • Reprodução
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2 de 5Moradores, ONGs (Organizações Não Governamentais) e associações se manifestaram e pediram justiça pela morte de Orelha • Reprodução
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3 de 5Animal comunitário morreu por maus-tratos, na Praia Brava, em Florianópolis (SC) • Reprodução
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4 de 5Polícia realizou uma ação para investigar o caso, com o objetivo de cumprir três mandados de busca e apreensão nos endereços dos suspeitos pelas agressões • Reprodução
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5 de 5Cão “Orelha”, animal comunitário que morreu por maus-tratos, na Praia Brava, em Florianópolis (SC) • Reprodução
As apurações indicam que a conduta dos jovens ultrapassa o crime de maus-tratos, abrangendo danos ao patrimônio e crimes contra a honra.
Expansão das investigações e novas infrações
De acordo com os relatórios policiais, o grupo é suspeito de participar de uma sessão de tortura contra o cão Orelha, que precisou ser submetido a eutanásia devido à gravidade dos ferimentos.
Além disso, a investigação aponta uma tentativa de afogamento contra um segundo cachorro, chamado Caramelo, que conseguiu escapar.
Para além dos maus-tratos a animais, a Delegacia Especializada apura a prática de atos análogos à depredação de patrimônio e crimes contra a honra praticados contra profissionais que atuam na região da Praia Brava.
O delegado-geral da PCSC, Ulisses Gabriel, afirmou que o objetivo atual é a individualização das condutas de cada um dos quatro jovens envolvidos.
Procedimentos legais e o papel do ECA
Por envolver suspeitos com idade entre 12 e 18 anos incompletos, o caso é regido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e não pelo Código Penal comum.
Caso as autorias sejam confirmadas, o relatório final será enviado à Delegacia Especializada no Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei.
A legislação brasileira estabelece que a medida socioeducativa de internação tem um prazo máximo de três anos.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

