Esforços da SpaceX e Blue Origin visam ocupar o Planeta Vermelho, mas enfrentam grandes desafio Tecnologia, Elon Musk, Espaço, Jeff Bezos, Marte, Nasa CNN Brasil
O cosmos há muito tempo tem sido uma tela para criativos que imaginam um futuro em que as pessoas vivem entre as estrelas. Agora, a humanidade se encontra em um ponto crucial, à medida que o processo trabalhoso, caro e de alto risco de tentar transformar essas grandes visões em realidade está realmente em andamento.
No mundo ocidental, talvez ninguém tenha mais influência sobre como esse futuro pode se concretizar do que Elon Musk e Jeff Bezos.
Dois dos homens mais ricos do mundo, ambos donos de empresas espaciais comerciais, eles têm uma fortuna combinada que ultrapassa 630 bilhões de dólares (cerca de R$ 3,8 trilhões) — uma quantia que está crescendo e se aproximando do valor total destinado à Nasa ao longo de seus 66 anos de história.
Musk e Bezos têm ideias diferentes sobre como deve ser o futuro humano no espaço, e suas visões não são mutuamente exclusivas. Mas cada uma apresenta seus próprios desafios — técnicos, financeiros, políticos e éticos.
O dono da SpaceX talvez tenha tido o maior impacto de qualquer pessoa na exploração espacial nos últimos anos, tanto do ponto de vista cultural quanto tecnológico. E ele sempre deixou claro seu foco singular em Marte, imaginando um dia em que o planeta vermelho abrigue um vasto assentamento de pessoas.
Enquanto isso, Bezos, cuja influência na indústria espacial tem sido um pouco limitada pelo ritmo mais lento de sua empresa de foguetes, manteve seu foco um pouco mais próximo da Terra.
Ele divulgou a visão de mover “indústrias pesadas e poluentes para fora do nosso planeta” — talvez para laboratórios espaciais giratórios onde colônias humanas vivem e trabalham em tempo integral.
No futuro imaginado por Bezos, a Terra seria reservada para viver e para o lazer, talvez preservada indefinidamente como um parque nacional.
“É um tempo louco para se estar vivo; é quase como se alguém tivesse escrito isso como um roteiro”, disse Phil Metzger, físico planetário da Universidade Central da Flórida. Mas, acrescentou, viver no espaço poderia ser “eticamente bom para a nossa civilização”.
Eu acho que, se fizermos da maneira certa, poderíamos criar um futuro realmente brilhante
Phil Metzger, Universidade Central da Flórida
Criar assentamentos no espaço, no entanto, não é um imperativo moral, argumenta Alice Gorman, arqueóloga espacial e professora associada da Universidade Flinders, na Austrália. E as histórias que Musk e Bezos contam sobre nosso futuro podem soar de maneiras diferentes para pessoas de diferentes classes socioeconômicas.
“Eu diria que provavelmente há mais pessoas preocupadas com os impactos das mudanças climáticas na Terra agora do que ansiosas por um futuro no espaço”, acrescentou Gorman.
Musk e Bezos têm apresentado suas ambições extraterrestres como filantrópicas, afirmando que colônias fora da Terra seriam uma espécie de seguro de vida, garantindo a sobrevivência da humanidade caso uma catástrofe natural ou causada pelo homem torne nosso planeta natal inabitável.
Mas existem diferenças significativas entre suas ideias de habitação cósmica.
Perseguindo Marte
Desde a fundação da SpaceX em 2002, Musk afirma que a missão central da empresa é estabelecer uma cidade autossustentável no Planeta Vermelho. Essa visão inclui enviar comboios de robôs e, depois, pessoas para viver em habitats fechados, talvez na região de Arcadia, em Marte.
Lá, a água necessária para sustentar tal colônia pode estar aprisionada a menos de 30 centímetros sob a superfície vermelha e poeirenta.
Eventualmente, Musk disse que espera submeter Marte a um processo chamado terraformação, no qual os humanos tornariam o planeta vermelho mais parecido com a Terra, bombeando gases na atmosfera para criar temperaturas mais altas e um ciclo da água semelhante ao do nosso planeta natal.
No entanto, os cientistas não concordam sobre se a terraformação é fisicamente possível.
“Eu acho que ‘Total Recall’ tem a ideia certa”, disse Michael Meyer, cientista-chefe do Programa de Exploração de Marte da Nasa, em entrevista à CNN, referindo-se ao filme de 1990, no qual um artefato extraterrestre antigo é usado para criar ar respirável em Marte.
“Você precisaria usar alguma tecnologia alienígena”, disse Meyer.
Gorman afirmou que acredita que os ambientes ecológicos de outros mundos devem ser preservados como são — mesmo que não existam formas de vida lá.
“A superfície de um planeta ou lua pode preservar evidências de tudo o que aconteceu… Podemos reconstruir a história do sistema solar a partir do que vemos na superfície”, disse Gorman.
“Chauvinismo planetário”
Bezos, que fundou a Blue Origin em 2000, não acredita que os humanos precisem buscar um assentamento em outro planeta — chegando a se referir a essas ideias como “chauvinismo planetário”.
Sua visão se alinha às ideias do falecido físico e professor da Universidade de Princeton Gerard O’Neill, que defendia que os humanos deveriam aspirar a viver em enormes estações espaciais que orbitassem próximas à Terra e girassem para simular gravidade. As ideias do pesquisador foram tema do documentário de 2021, “High Frontier”.
Conhecidas como “colônias O’Neill”, essas estruturas teriam quilômetros de largura e poderiam abrigar até 1 milhão de pessoas cada, disse Bezos em 2019 durante sua apresentação mais detalhada sobre suas ambições espaciais até então. O fundador da Blue Origin foi aluno de Princeton nos anos 1980, quando O’Neill lecionava na universidade.
Bezos também afirmou que futuras colônias espaciais devem ser sustentadas por recursos como água congelada, que poderia ser extraída da Lua. E a Blue Origin está desenvolvendo um módulo lunar chamado Blue Moon, que poderia ajudar nessa extração de recursos.
Ele expressou sua preferência por essa abordagem em vez de tentar viajar para Marte, observando em 2019 que o satélite natural está “a três dias de distância, e você não tem as restrições de lançamento que existem com Marte”, que só pode ser acessado a cada dois anos, quando o planeta se alinha melhor com a Terra durante uma “janela de transferência”.
“Você pode ir à Lua praticamente quando quiser”, destacou Bezos.
Metzger e Gorman afirmaram que preferem a visão do criador da Blue Origin para nosso futuro espacial em relação à de Musk.
Eles explicaram que é sensato que civilizações espaciais permaneçam próximas da Terra, pois isso forneceria um caminho fácil para reabastecer os assentamentos em seus primeiros dias. E permanecer perto de casa pode trazer benefícios incalculáveis para a saúde mental dos habitantes, disse Gorman.
Mas, se Musk tiver sucesso em estabelecer um assentamento em Marte, isso provavelmente tornará muito mais fácil, um dia, realizar as colônias O’Neill também. “Uma maré alta levanta todos os barcos”, disse Metzger.
Nem a Blue Origin nem a SpaceX responderam aos pedidos de informação da CNN para esta matéria.
Independentemente de suas diferenças, as visões de Musk e Bezos são sustentadas por uma tese semelhante: os humanos em breve viverão e trabalharão no espaço, e o cosmos se tornará, um dia, o palco principal da economia.
Linhas do tempo divergentes
Os bilionários, no entanto, deixaram claro que estão operando em escalas de tempo muito diferentes.
Bezos admitiu que a tecnologia necessária para construir e implantar uma colônia O’Neill ainda não existe, e que ele não tem intenção de supervisionar pessoalmente sua construção.
“Como vamos construí-las? Ninguém sabe. Eu não sei. Ninguém nesta plateia sabe. Isso é algo que as futuras gerações terão que descobrir”, disse ele em 2019.

Enquanto isso, a Blue Origin está focada principalmente no desenvolvimento de tecnologias precursoras que sejam econômicas e possam estimular a inovação — mas que não necessariamente realizam coisas novas.
O foguete New Glenn, da empresa de Bezos, por exemplo, é a oferta tecnologicamente mais avançada que a empresa lançou até agora. Ele foi projetado principalmente para competir com os foguetes Falcon da SpaceX, transportando satélites e outras cargas para a órbita terrestre a uma fração do custo das tecnologias mais antigas.
O desafio urgente da Starship
Musk, por outro lado, opera com um senso de urgência muito maior. A SpaceX está atualmente desafiando as leis da física enquanto tenta definir o projeto da Starship — o maior sistema de foguete já construído.
Até agora, o veículo de quase 400 pés de altura (121 metros) realizou 10 voos de teste suborbitais com graus variados de sucesso. (Partes da Starship falharam ou explodiram durante seis dessas missões de teste.)
Mas Musk espera que a Starship esteja pronta para viabilizar a instalação inicial de uma colônia em Marte dentro dos próximos cinco anos.
Durante um discurso em maio, o empresário apresentou um plano básico que começa com o lançamento de várias naves de carga para Marte no final do próximo ano. Os humanos seguiriam apenas dois anos depois, em 2028, e comboios de centenas de naves chegariam nos anos seguintes, entregando “cerca de um milhão de toneladas” de infraestrutura.
No entanto, os obstáculos tecnológicos que a SpaceX precisa superar para concretizar a Starship são imensos, observou Garrett Reisman, ex-astronauta da Nasa, consultor da SpaceX e professor de engenharia astronauta na Universidade do Sul da Califórnia.
“Eles podem estar apenas enfrentando alguns problemas de engenharia muito difíceis de resolver”, disse Reisman. “Acho que pode acabar nunca funcionando, ou pode acabar revolucionando todo o nosso futuro de atividades no espaço.”
Musk há muito tempo afirma que o tamanho e a potência da Starship poderiam possibilitar tipos totalmente novos de missões, incluindo transportar grupos de humanos para Marte e lançar telescópios espaciais gigantescos.
A política da exploração
O governo dos Estados Unidos está se mostrando um aliado valioso para bilionários com ambições extraterrestres.
Diante de suas próprias metas ambiciosas e limitações orçamentárias, a Nasa tem sido cada vez mais incentivada a fazer parceria com empresas do setor privado, como a Blue Origin de Bezos e a SpaceX de Musk — especialmente à medida que legisladores mais agressivos em Washington deixam claro que veem a exploração espacial como uma prioridade nacional, em meio a uma corrida com a China pela supremacia na área.
O fato de Musk e Bezos estarem atualmente investindo bilhões de dólares do setor privado na criação de novas tecnologias espaciais introduziu uma nova dinâmica: enquanto a Nasa costumava ser a principal financiadora e definidora de metas desses esforços, empresas lideradas por bilionários agora desempenham um papel igual ou até maior no desenvolvimento de novas tecnologias.
Isso fica evidente no programa Artemis da agência espacial norte-americana, um esforço para retornar astronautas à Lua pela primeira vez desde o fim do programa Apollo, em 1972.
Enquanto a Nasa gastou mais de 40 bilhões de dólares (cerca de R$ 215 trilhões) desenvolvendo sua própria espaçonave e foguete para um voo tripulado à Lua, a agência está recorrendo ao setor privado para quase todos os outros aspectos da missão.
A Blue Origin e a SpaceX, por exemplo, receberam contratos multibilionários para desenvolver módulos lunares — veículos que levarão astronautas da espaçonave construída pela Nasa até a superfície lunar.

Para a empresa de Musk, o módulo em desenvolvimento é a Starship — uma proposta impressionante, considerando que uma espaçonave totalmente operacional seria teoricamente poderosa o suficiente para realizar uma missão tripulada à Lua sozinha.
No entanto, a Nasa pretende que a Starship trabalhe em conjunto com seu próprio foguete SLS e a espaçonave Orion, pelo menos inicialmente.
A agência concedeu à Starship um contrato de 3 bilhões de dólares (cerca de R$ 16 bilhões) para conduzir o primeiro pouso tripulado do Artemis, previsto já para meados de 2027.
O acordo destaca como a Nasa começou a moldar seus próprios programas em função do que o setor privado pode oferecer, e não o contrário.
E isso não é necessariamente ruim, disse Metzger. Se o foguete da SpaceX, projetado para Marte, também ajudar a agência espacial norte-americana a atingir seus objetivos de vencer a China na Lua, “a Nasa deve aproveitar toda a sinergia possível disso.”
Mas não há como negar que essa nova dinâmica dá aos bilionários e suas empresas espaciais um poder sem precedentes, que pode se manifestar de maneiras empolgantes — e talvez perigosas.
Riscos ambientais e técnicos
Muitos outros desafios e dilemas éticos surgirão nesse meio tempo. Uma questão iminente é ambiental.
Musk disse que espera que a SpaceX, um dia, esteja lançando seu megarocket Starship de 10 a 24 vezes por dia — ou uma vez a cada hora. Isso representaria um salto enorme na atividade de lançamentos.
Atualmente, a indústria global de foguetes, liderada pela empresa de Musk, realiza cerca de cinco lançamentos por semana. Aumentar dramaticamente o número de voos espaciais teria impacto no meio ambiente da Terra.
“O problema é a deposição de calor na estratosfera (durante os as partidas dos foguetes), porque o calor provoca reações químicas, que criam um gás de efeito estufa”, disse Metzger.
Cerca de 1.000 toneladas métricas de carbono negro são injetadas na atmosfera anualmente pelos lançamentos de foguetes, segundo estimativas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa).
A pesquisa da agência em 2022 concluiu que “um aumento de 10 vezes nos lançamentos com combustível hidrocarboneto, o que é plausível nas próximas duas décadas com base nas tendências recentes de crescimento do tráfego espacial, prejudicaria a camada de ozônio e alteraria os padrões de circulação atmosférica.”
(Os foguetes Falcon e Starship da SpaceX, assim como o New Glenn da Blue Origin, usam combustíveis hidrocarbonetos.)
“Os governos do mundo vão permitir que todo o orçamento global de lançamentos através da atmosfera seja usado por um único país e por uma única empresa?” perguntou Metzger, referindo-se a um limite teórico que poderia precisar ser imposto ao número de lançamentos para evitar uma catástrofe ambiental. “Isso é uma grande incógnita.”
Um paradoxo ambiental
Mas, por outro lado, é possível que um futuro espacial possa reforçar a resiliência ambiental da Terra — especialmente se a visão de Bezos de mover indústrias altamente poluentes para o espaço se concretizar.
O empresário disse acreditar que o consumo crescente de energia pela humanidade acabará esgotando os recursos finitos do nosso planeta natal.
“A boa notícia é que, se nos expandirmos pelo sistema solar, para todos os efeitos práticos, teremos recursos ilimitados”, disse Bezos em 2019.
Outro bilionário, o ex-CEO do Google Eric Schmidt, que recentemente adquiriu sua própria empresa de foguetes, tem apoiado discretamente a ideia de que centros de dados deveriam ser retirados da Terra.
“As pessoas estão planejando centros de dados de 10 gigawatts”, disse Schmidt durante uma audiência no Congresso em abril, chamando a demanda por energia de uma crise iminente. “Essas coisas são industriais em uma escala que nunca vi na minha vida.”
Gorman, no entanto, afirmou que não se deixa convencer por alegações de responsabilidade ambiental, apontando a ironia de alterar a atmosfera de Marte para melhor adequá-la aos humanos. “Se você se preocupa em salvar ou preservar o meio ambiente da Terra, por que acharia que Marte é descartável?” ela questionou.
“Eu acho meio enganoso”, acrescentou, observando que não acredita que civilizações de backup ou a mineração de recursos no espaço seriam necessárias para resolver nossos problemas ambientais na Terra.
“Se tivéssemos tecnologias que permitissem às pessoas viver em ambientes incrivelmente difíceis e desafiadores (no espaço)”, disse Gorman, “então já temos a tecnologia para usar os recursos na Terra de forma mais eficiente e garantir que não estamos destruindo completamente o meio ambiente.”
Todos os riscos e recompensas
Se a humanidade sobrevivesse à destruição da Terra, transformando-se em uma espécie que vive inteiramente fora do ambiente em que evoluiu, os desafios se tornariam cada vez mais existenciais.
Esteja você em um laboratório em órbita próximo ao nosso planeta ou em um habitat em Marte, qualquer pequeno defeito na infraestrutura que sustenta a vida poderia significar desastre.
Os humanos poderiam morrer facilmente por exposição à radiação, e a falta de pressão atmosférica no Planeta Vermelho ou na órbita faria com que o sangue de uma pessoa fervesse se ela fosse exposta.

E há ainda a questão da procriação.
“A gravidade de Marte é suficiente para a gestação ou o nascimento humano, ou para a criação de filhos? Isso é um problema em aberto”, disse Metzger.
Mesmo tentar pesquisar se uma criança poderia sobreviver nessas condições apresenta um dilema ético. Musk e Bezos admitiram que um futuro em que os humanos vivem com segurança em habitats extraterrestres permanentes não é fácil nem garantido.
“A Terra é o melhor planeta, e não está próxima”, disse Bezos em 2019, citando o falecido astronauta da Nasa Jim Lovell ao afirmar que a exploração espacial faz a gente perceber que “você vai para o céu quando nasce” — e não quando morre.
“Um futuro humano empolgante”
Musk também admitiu que viver em Marte seria extremamente perigoso, especialmente nos primeiros dias da colonização: “Não é para os fracos de coração. Há grande chance de você morrer, e será muito difícil… Melhor que seja algo realmente glorioso se der certo.”
Mas ele também sugere que o ato de perseguir um futuro espacial, apesar dos perigos, pode servir como uma espécie de alívio para o medo existencial.
“A vida não pode ser apenas resolver um problema trágico após o outro”, disse Musk durante a transmissão de um voo de teste da Starship em 25 de agosto. “Também deve haver razões para se levantar e querer se entusiasmar com o futuro. E um futuro em que somos uma civilização espacial é infinitamente mais empolgante do que um em que não somos.”
Os esforços da SpaceX para desenvolver um foguete para Marte estão inspirando uma comunidade de superfãs e uma indústria turística em torno das instalações de lançamento e desenvolvimento da empresa no sul do Texas.
Entre esses fãs dedicados está Anthony Gomez, sócio-administrador do Rocket Ranch, um acampamento à beira do Rio Grande com uma estrutura para assistir aos lançamentos tão próxima da plataforma da Starship que os visitantes precisam assinar termos de segurança.
Quase 100 pessoas de diferentes partes do mundo e origens se reúnem no Rocket Ranch para cada voo de teste da Starship, observou Gomez. Às vezes, os convidados mais desinteressados — levados a assistir a um lançamento por um ente querido — são os mais impactados ao ver a Starship decolar, disse ele.
“São eles que choram porque finalmente entendem”, disse Gomez. “Se você não sente nada (ao ver a Starship voar), talvez esteja morto por dentro.”
Para Gomez, a busca por um futuro em que vivemos no espaço não é uma questão política, e vai além de um bilionário ou de uma única ideia audaciosa.
“É a esperança agregada da sociedade”, disse ele, acrescentando que se inspira nos engenheiros da SpaceX trabalhando para resolver problemas incrivelmente complexos. “É apenas a curiosidade humana insaciável sobre o que está além deste limite que não podemos ultrapassar.”
Quando questionado se se juntaria a um comboio inicial para Marte, apesar dos graves riscos, Gomez respondeu: “claro”.
“Algumas pessoas vão morrer em Marte tentando abrir um caminho para o resto da humanidade”, disse Gomez. “Acho que isso é nobre.”
Gorman disse que não descarta essa motivação. “Acho que é útil e contribui para o nosso bem-estar pensar além de nós mesmos, pensar em um futuro humano empolgante”, disse.
Mas Gorman também alertou que, mesmo se as ideias ousadas apresentadas por Musk e Bezos se concretizarem totalmente, com metrópoles movimentadas construídas entre as estrelas, a humanidade eventualmente precisará voltar seu olhar para casa.
“Pessoas como eles querem continuar indo ao espaço sem fim”, disse Gorman. “Mas isso não é possível. Em algum momento alcançaremos os limites de onde corpos humanos e espaçonaves humanas podem ir.
“Teremos que voltar nosso olhar”, acrescentou, “para a Terra.”
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