Delegado assassinado combatia assaltos a bancos ligados ao Primeiro Comando da Capital São Paulo, -agencia-cnn-, delegado, Polícia Civil, São Paulo (estado) CNN Brasil
A Polícia Civil do estado de São Paulo acredita que a provável motivação do assassinato de Ruy Ferraz seja uma vingança ou reação do crime organizado à atuação do delegado contra a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Três prisões efetuadas na terça-feira (13), incluindo a de um homem apontado como mandante, corroboram a tese. Tratam-se, segundo investigadores, de nomes ligados a assaltos a bancos. Frente de atuação do PCC que era alvo do delegado.
“São assaltantes de banco que foram presos pelo Ruy, em 2005, que lutava fortemente contra o crime organizado. Não dá pra um delegado de polícia que atuou tanto ser morto e a gente não ter achado a motivação e hoje eu to seguro pra falar isso, o doutor ele trabalhou muito no combate a roubo a banco e talvez seja essa a causa do que aconteceu com ele”, disse Nico Gonçalves, secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo.
Segundo a polícia, os três presos nesta terça são de alto nível de experiência e responsabilidade no PCC. Envolvidos também com as atividades financeiras da facção, onde estão há anos.
De acordo com Ivalda Aleixo, diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia Civil (DHPP) os três são faccionados, da ‘Sintonia Restrita’ — nome dado à cúpula de inteligência e um braço armado de elite dentro da organização criminosa.
A polícia afirma que os presos hoje são mandantes do crime. De forma mais genérica, investigadores dizem que o assassinato foi ordem da cúpula do PCC. Citam uma reunião, de março do ano passado – cerca de seis meses antes do assassinato – em que teria havido uma votação para decidir sobre a execução de Ruy Ferraz.
Quem são os três presos
Marcio Serapião de Oliveira, conhecido como Velhote ou MC, é investigado por dar apoio estratégico e logístico à execução. Segundo a polícia, ele pode ter participado da guarda de veículos, do uso de imóveis de apoio e da ocultação de elementos ligados ao assassinato.
Fernando Alberto Teixeira, vulgo Azul ou Careca, teria participado do planejamento, da coordenação logística e da execução indireta do crime.
Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Manezinho ou Manoelzinho, seria articulador logístico e operacional do grupo. Segundo as investigações, ele teria ajudado na fuga dos envolvidos e mantido a ligação entre os executores do crime. Manoel foi preso em Mongaguá, no litoral paulista.
Execução de ex-delegado
Ruy Ferraz Fontes foi executado no dia 15 de setembro em uma emboscada. O crime ocorreu após uma perseguição em alta velocidade e o capotamento do carro do delegado em Praia Grande, no litoral paulista. Criminosos efetuaram mais de 20 disparos de fuzil contra ele.
Após a execução, os carros utilizados pelos criminosos, que eram roubados, foram abandonados e um deles incendiado, na tentativa de apagar vestígio.
A análise inicial da ação criminosa revelou um planejamento meticuloso e o conhecimento técnico dos executores, que perseguiram Fontes antes de desferir mais de 20 tiros de fuzil.
Inimigo do PCC: quem era Ruy?
Na época do crime, Ruy ocupava cargo de secretário de Administração da Prefeitura de Praia Grande, ele estava rascunhando uma denúncia ao MP sobre possíveis fraudes em licitações da Prefeitura e estava licenciado de seu cargo na Polícia Civil.
Ferraz ganhou notoriedade por enfrentar a facção criminosa PCC, sendo considerado um dos principais inimigos da organização.
Em 2006, ele foi o responsável por indiciar toda a cúpula da facção, inclusive Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, antes de os bandidos serem isolados na penitenciária 2 de presidente Venceslau.

