Convidado do CNN Esportes S/A, Gulherme Bellintani analisa formação e aponta riscos no modelo brasileiro Futebol, CNN Esportes, CNN Esportes S/A, Futebol brasileiro CNN Brasil
Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia e CEO da Squadra Sports, discutiu no CNN Esportes S/A deste domingo (21) o cenário da formação de jogadores no país e afirmou que projetos de base não podem depender de fenômenos como Endrick e Neymar.
Durante a entrevista, o dirigente explicou que o foco de seu grupo multiclubes está em atletas avaliados entre 300 mil e 5 milhões de euros, com vendas recorrentes.
Para Bellintani, a lógica é simples.
É a regra do futebol brasileiro. Se eu conseguir encontrar um jogador muito diferenciado, provavelmente ele não se desenvolve dentro do meu projeto. Ele vai para outro clube um pouquinho mais sofisticado em termos de divisão de base. Mas eu não preciso dele para performar economicamente no meu projeto. (…) O erro é você fazer um projeto para ganhar dinheiro dependendo disso. Sobre o ponto de vista econômico, a gente não precisa disso.
Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia
O CEO disse administrar cinco clubes no Brasil e cerca de 450 jogadores em diferentes categorias. Ele afirmou que, quando surge um talento acima da média, clubes grandes agem rapidamente.
“Se eu encontrar esse menino muito jovem, provavelmente um clube maior vai lá e vai dizer: ‘Ou você faz parceria comigo com ele ou eu vou tomar ele para mim’. É assim que funciona”, explicou.
O dirigente detalhou como essa movimentação ocorre no cotidiano das categorias de base. Ele destacou que o modelo da Squadra não depende de talentos excepcionais para ser viável.
Quem acha que a gente vai se dar bem se encontrar um Estêvão, um Endrick, um Neymar, não é o nosso projeto. Nosso projeto é ter recorrência de vendas médias.
Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia
Segundo ele, a meta é realizar oito vendas por ano, a partir de 2029, dentro dessa faixa de valor.
“Se eu fizer isso, meu projeto está viabilizado”, constatou.
Futuro otimista
Bellintani também avaliou o momento do futebol brasileiro após mudanças jurídicas e estruturais nos últimos anos.
Eu diria que eu olho hoje com otimismo cauteloso, digamos assim. Por que o otimismo? Porque hoje, se você for olhar o futebol brasileiro, especialmente de 22, 23, 24 para cá, ele passou por mudanças muito representativas.
Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia
Segundo ele, leis recentes, a abertura do mercado de transmissão, a entrada de investimentos e o avanço das SAFs transformaram o ambiente.
Ele ponderou, no entanto, que parte dos clubes aumentou gastos e contraiu dívidas, apesar da elevação das receitas. Para ele, o setor precisará ajustar custos já em 2026.
“Se você continuar pagando 200, 300.000 reais para um jogador jogar a Série B do futebol brasileiro, vai ter problema. Vai ter clube quebrando. Esse ajuste não é um ajuste difícil de fazer”, afirmou.
Para Bellintani, o próximo ano deve trazer mais progresso nesse sentido.
Na minha visão, vai ter um freio em 26 e é bom que tenha. Se você continuar pagando o salário para o jogador, porque o agente está exigindo colocando a faca no seu pescoço e o outro clube vai lá e paga, tem que entender que você perde no primeiro momento, mas no médio prazo você ganha.
Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia
CNN Esportes S/A
Com Guilherme Bellintani, ex-presidente do Bahia, político e dirigente esportivo, o CNN Esportes S/A chega à 122ª edição. Apresentado por João Vitor Xavier, o programa aborda os bastidores de um mercado que movimenta bilhões e é um dos mais lucrativos do mundo: o esporte.
Em pauta, os assuntos mais quentes da indústria do mundo da bola, na perspectiva de economia e negócios.
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