Categoria extratropical de quase 100 km/h causou cenário caótico na capital paulista; foram mais de 150 voos afetados e 2,2 milhões de consumidores sem energia, nesta quarta-feira (10) São Paulo, -agencia-cnn-, Ciclone, cidade de são paulo CNN Brasil
Os ciclones tropicais são comuns nas regiões sul e sudeste do Brasil, mas são formados no oceano, o que por vezes pode atingir regiões urbanas, como a capital paulista. Mas fenômenos regionalizados na cidade, como o ocorrido nesta quarta-feira (10), podem ser cada vez mais frequentes.
A ventania na cidade de São Paulo chegou a 98 km/h.
Diferente de furacões, que são mais densos e com o tamanho menor, os ciclones podem chegar a ter 4 mil km de extensão, a chuva e o vento estão espalhadas nas extremidades.
“São mais de 200 por ano [ciclones extratropical], nada mais é do que uma frente fria, mas ele depende da intensidade, onde ele vai se formar. Pode estar lá no oceano, e a linha frontal pode ser na ponta, chegando na cidade”, aponta Marcel Ligabô, climatologista especializado em furacões.
Aumento da frequência
A ciência não pode mais contar com a previsão de série históricas, que possam permitir um acerto mais rigoroso de fenômenos que estão por vir, segundo especialistas, estamos em um ciclo de espaçamento de fenômenos que fogem a média.
“O fato é que nós estamos num processo de aquecimento global, a cada ano o planeta se torna mais quente, e isso se tornou mais intenso do que esperado, as consequências são piores do que eram esperadas também. Vivemos uma realidade incerta imprevisibilidade, coisas que não se esperam porque não previam isso antes, a resposta pra isso adaptação e prevenção”, diz Carlos Bocuhy, presidente do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental
Durante a passagens desse ciclone, a atmosfera tenta se regular, causando a transferência de massa, ou seja, a formação da ventania. A massa de ar fria vem do polo sul.
“Quando acontece um choque entre uma massa de ar frio e uma massa de ar quente, e a atmosfera está com muita umidade, se vier uma massa de ar fria suficiente forte e se chocar com essa umidade, está formado o ciclone extratropical, que vem da diferença de temperatura entre essas massa de ar”, conclui Ligabô.
Ciclone e ventania deixam mais de 2,2 milhões de pessoas sem energia em SP
Cenário caótico
Aproximadamente 2,2 milhões de pessoas ficaram sem luz no estado de São Paulo nesta quarta-feira (10), além de também afetar a distribuição de água do município. Contando o aeroporto de Guarulhos e o de Congonhas, mais de 150 voos foram afetados pelo ventania.
Segundo a Defesa Civil, o bairro da Lapa chegou a 98 km/h
“O que atingiu São Paulo hoje, demonstrou que o suprimento de energia e o cuidado da arborização não é suficiente para os novos eventos climáticos”, analisa Bocuhy.
A cidade de São Paulo fica a menos de 100 km de distância da costa oceânica. A maior parte do ciclone, pela dimensão, pode estar no meio do oceano, mas alguma parte dele está em cima da capital paulista.
“Não vale mais se eximir de culpa, afirmando que o evento não aconteceu antes. Cada vez mais vezes vão acontecer coisas que não aconteceram antes, o clima fugiu a regra, não tem mais uma previsibilidade. Em termos de políticas públicas é preciso adotar o princípio da precaução”, finaliza Bocuhy.

