Tendências apontam que partido fundado por Evo Morales pode deixar o poder pela primeira vez em duas décadas Internacional, Bolívia, Eleições presienciais, Evo Morales CNN Brasil
As vésperas das eleições presidenciais da Bolívia, no domingo (17), o país enfrenta uma das maiores crises econômicas da história. Após um racha no antigo partido de Evo Morales, a esquerda chega dividida às eleições e pode deixar o poder pela primeira vez em duas décadas.
De acordo com uma pesquisa da AtlasIntel, o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, do Libertad y Democracia, figura em primeiro lugar com 22,3% das intenções de voto.
Em segundo lugar, aparece o candidato de centro-direita Samuel Doria Medina, do partido Unidad Nacional, com 18%, seguido de Andrónico Rodríguez, da Alianza Popular, com 11,4%.
A esquerda surge apenas na sexta posição, ficando atrás até de votos nulos, brancos e entre eleitores que ainda não se decidiram. Eduardo del Castillo, do partido MAS (ex-partido de Evo, que o liderou por mais de duas décadas), detém 8,1% das intenções de voto.
Rodrigo Paz Pereira, do partido Comunidad Ciudadana, aparece com 7,5%, seguido de Manfred Reyes Villa, do Autonomía para Bolívia, que tem 4%. O levantamento ouviu 1.916 entrevistados entre 11 a 14 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%.
Se confirmadas as tendências, o partido MAS pode perder as eleições pela primeira vez em duas décadas.
O MAS (Movimento ao Socialismo) se manteve no poder na Bolívia por 20 anos quase ininterruptos, mas agora enfrenta divisões internas irreconciliáveis. Luis Arce, atual presidente, decidiu não concorrer à reeleição, enquanto Evo Morales, pediu voto nulo.
Morales foi o primeiro presidente indígena da Bolívia e governou o país durante três mandatos, entre 2006 e 2019. Ele tentou iniciar um quarto mandato, mas foi impedido pela Suprema Corte, que declarou a medida como inconstitucional.
Com a recusa de Luis Arce em concorrer à reeleição, Eduardo del Castillo se tornou o candidato oficial para liderar a lista do MAS. No entanto, Castillo não tem o apoio de Morales, representando a fragmentação no partido.
As expectativas se voltam para Jorge “Tuto” Quiroga, antigo opositor do governo de Morales. Ele propõe em seu programa de governo a retomada da produção, a digitalização do Estado, políticas sociais com ênfase na educação e reformas institucionais que garantam a independência do judiciário.
Os eleitores também avaliaram outras questões relacionadas à Bolívia. Para 62,1% dos entrevistados, a corrupção é o maior problema do país, enquanto 39,3% acreditam que é a inflação e a escassez de produtos. Outros 38,7% avaliam que o maior problema do país é a crise energética e falta de combustível.

